Adicionado por em 2015-03-02

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planejamentopor Celso Machado

Engana quem acredita que agir certinho é certo. Não só porque está cada vez mais difícil saber com segurança o que é certo como também porque “certinho” denota sempre um limite em relação ao certo. Nessas horas lembro do comentário de um empresário, infelizmente já falecido, que dizia que nunca teve problemas com dois tipos de pessoas. Com as boas, porque não causam complicações e as más, porque como você sabe que elas vão aprontar, você fica preparado para enfrentá-las. Ele sempre “levara tinta” como gostava de dizer, com as boazinhas. Porque delas se espera o melhor e, na maioria das vezes, o que aprontam é bem diferente disso.

Os certinhos desses que fazem sempre tudo do mesmo jeito, que agem sempre dentro da previsibilidade, muitas vezes aborrecem. Porque não acrescentam, nem provocam. Com eles tudo é monotonia, mesmice. É como filme de super herói, que você nem precisa ir ao cinema para saber o final. No fim ele sempre vence. Por isso tanto faz assisti-lo no começo ou do final: podem mudar os personagens e o cenário mas a trama não.

Previsibilidade muitas vezes acaba sendo sinônimo de chatice. Por isso acredito que seja justificável e até recomendável, em alguns momentos, gestos e atitudes que fogem do aguardado. O imprevisível, volta e meia apronta das suas e surpreende, positivamente. No jazz isso é uma constante, no repique do samba também. O seu encanto está exatamente em não repetir. Encanta por permitir e estimular que o músico vá além, acrescente seu toque pessoal. Toque de improviso. Cada um do seu jeito.

Para quem acompanha futebol, seja como praticante ou torcedor, nada mais frequente do que isso. Uma das coisas mais comuns é o jogador que marca o gol porque errou o chute. O goleiro atento esperando e a bola que deveria vir num sentido, por falha ou erro do adversário toma outro rumo. Nessa hora nada a fazer, a não ser chorar de raiva e, inerte, ver a bola ir para o fundo do gol.

E o que dizer das viagens que nos proporcionaram momentos inesquecíveis exatamente porque erramos de caminho e fomos parar onde não havíamos programado? Na culinária, quantas vezes pelo cozinheiro errar a mão no tempero, o prato ficou mais delicioso? Quantas receitas maravilhosas não surgiram por acaso? Como descobrir novos paladares sem arriscar?

Quantas inovações não foram oriundas de experiências que visavam uma coisa e foram utilizadas para outras? Como bem explicita um antigo ditado popular: “atirou no que viu e acertou no que não viu!”
Para saborear a vida é preciso usar tempero. Claro que é recomendável não exagerar na quantidade, nem na frequência. Mas é importante não deixar de usar. Porque senão tudo fica sem gosto. Insosso. Correr riscos e fazer novas experiências. Sair da zona de conforto e conhecer o outro lado. Aventurar por caminhos novos e trilhar estradas desconhecidas.

Até porque original, também é aquele que difere. Que não repete, que tem estilo próprio. Que em qualquer idade, nasce a cada dia. Como faz o músico de jazz.
Agora tem gente que prefere levar a vida tocando bumbo…

PUBLICADA NO JORNAL CORREIO DE UBERLÂNDIA, NO DIA 28 DE FEVEREIRO DE 2015.

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Categoria:

Mineiridades

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