Adicionado por em 2015-08-10

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muda-mini-jaca-dourada-artocarpus-hirsutus-plantamundo-21064-MLB20202564006_112014-Fpor Celso Machado

Fui um dos primeiros a comprar uma chácara nas Mansões Aeroporto. Isso foi lá por meados dos anos 70. Uma decisão ousada no que fui acompanhado pelo meu irmão, que adquiriu outras. E, principalmente, recebi o entusiasmado apoio de meu pai e também da minha mãe. Na época, papai era representante comercial da Fábrica de Pregos Triângulo, onde, além do bom vendedor que realmente era, recebia um tratamento amigo e sempre diferenciado do sr. Osvaldo Horbilon e filhos.

Viajava pelo interior de Minas afora num fusca branco e depois que adquiri a tal chácara não havia viagem que ele não trouxesse espécies frutíferas para plantar. Chegava com o pescoço dolorido pois, muitas vezes, precisava colocar a cabeça para fora para não machucar os compridos galhos das mudas que ia adquirindo.

Criativo como era, gostava de caprichar nas exóticas. E foi assim que o pomar da nossa “chacrinha”, como a chamávamos, foi recebendo exemplares de castanhas portuguesas, figo, pera, maçã, cajá-manga, fruta do conde, araticum, atemoia, pinha, ata ou seja lá que nome for. Todo tipo de mexerica, laranja, limão, manga, banana e por aí afora. Ah, quase me esqueço, dois pés de jaca.

Não sei quem já teve a experiência de conviver com essa fruta quando está madura. O cheiro é forte e enjoativo, os frutos grandes quando caem, arrebentam o que torna o aroma ainda mais intenso e o chão, intransitável. Nunca tive a curiosidade de perguntar ao meu pai, porque comprara e plantara uma fruta que nenhum de nós apreciava, inclusive ele. Pra dizer a verdade, nem deveria dizer que não gostava porque nunca a experimentei. Nem eu nem ninguém lá de casa.

Convivi com isso por muitos anos sem saber o que fazer com elas, até que um dia, num dos rachas semanais de futebol que jogávamos no campinho gramado, um colega de origem nortista ao buscar uma bola que havia sido chutada pra longe por um jogador de pouca habilidade topou com os tais pés de jaca. A partir daí, descobri que tinha quem gostasse dessa fruta. Mais do que isso, a saboreava com aquele prazer de quem estava diante de uma iguaria fina e saborosa.

Claro que passei a presenteá-lo com elas regularmente. E também pude perceber outra das características do meu pai: ele plantava todo tipo de frutas não porque fossem obrigatoriamente do seu agrado. O que o motivava era ofertá-las generosamente a nós da sua família, seus amigos, vizinhos e colegas.

Entendi por que era um vendedor querido pelos patrões e mais ainda pelos seus clientes: de verdade, ele se preocupava em atendê-los da melhor forma. Nunca “empurrava” uma venda, nem deixava de visitar um freguês mesmo que, nas viagens anteriores, não lhe tivesse vendido nada. Sempre de bom humor, onde estivesse tinha sempre uma boa história, piada ou fato curioso para contar. Gostava de servir e ser útil. Dava atenção e era presença presente. Autêntico, espontâneo, simples. Um português que conhecia o interior de Minas e Goiás como poucos.

Hoje, não tenho a chácara, mas guardo dela boas lembranças. Tanto do meu pai quanto da minha mãe. Ele me ensinou bastante, mas eu queria ter aprendido muito mais. Quando lembro dele chego até a ter saudade de jaca…

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 8 DE AGOSTO DE 2015.

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Categoria:

Mineiridades

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