Adicionado por em 2014-10-27

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por Celso Machado

corujaUma das piadas mais antigas que conheço é a do português que veio conhecer o Brasil e ficou fascinado quando encontrou com uma das nossas aves típicas, o papagaio. Isso na época em que não havia questões de tráfico de animais, etc. Impressionado quis comprar uma e levar para Portugal. Só que deu azar de procurar um vendedor malandro que lhe vendeu uma coruja como sendo um papagaio.

Tempos depois já em Portugal recebeu um telefonema do vendedor que para tirar um “sarro” lhe perguntou se o “papagaio” estava falando. O português na sua inocência respondeu: “Falar ele ainda não fala, mas presta uma atenção!” Como gosto de fazer analogia estou me servindo dessa anedota para abordar um assunto sério, que é a carência que as pessoas estão sofrendo nos tempos atuais de serem ouvidas. Na maioria das vezes eles não querem ouvir conselhos, escutar recomendações, simplesmente serem ouvidas por quem possa lhes dar atenção. Como corujas, que não falam nem opinam, mas por terem os olhos muito abertos sugerem estar muito atentas.

Pode parecer banal e até mesmo ridículo, mas fazer o papel de coruja exige muito. Muito mesmo. Exige um esforço pessoal extraordinário. Primeiro porque como a carência é geral tem muito mais gente querendo falar do que disposta a ouvir. E, segundo, porque a maioria dos seres humanos tem uma formação ou deformação de interferir, de dar seus pitacos, de querer fazer observações, comentários. Ainda que na maioria das vezes isso seja com a melhor das boas intenções, nem sempre é o que a outra pessoa está precisando.

Muitos remédios que para nós dão um resultado fenomenal, não funcionam para os outros. Principalmente nas questões emocionais. O bicho homem é genérico, mas é distinto. Cada um é cada um. Remetendo novamente a analogia, conheço dois ditados mineiros que definem isso muito bem: “mais vale um gosto do que um caminhão de abóbora!” e “uns gostam dos olhos e outros gostam da remela”.
Se temos uma dificuldade enorme e muitas vezes nem conseguimos entender porque a gente gosta mais de uma cor do que de outra, prefere frio ou calor, chuva ou sol, barulho ou silêncio, pensa de um jeito, toma determinada atitude, imagina querer fazer isso em relação ao outro. A questão crítica é que falar dos outros, principalmente de suas fragilidades e necessidades é bem mais fácil do que sobre as nossas.Por isso passamos mais tempo agindo como papagaios do que como corujas.

Posso falar isso com legitimidade, pois ainda que ultimamente venho tentando ver se consigo ouvir sem falar, prestando atenção verdadeira, meu desempenho tem sido ridículo. Minha dificuldade em ficar calado é absurda. Quando dou conta lá foi minha interferência, minha interrupção. Meu lado papagaio continua forte.

O consolo, se é que isso serve de consolo, é que não sou minoria, pelo contrário. Voltando à piada do português, se fosse nos dias de hoje, o vendedor malando teria agido diferente: entregaria o papagaio e ficaria com a coruja. Porque enquanto tem papagaio de sobra no mercado, corujas, a cada dia, estão se tornando mais raras e valiosas…

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Categoria:

Mineiridades

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