Adicionado por em 2015-07-26

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8443667293_c5d00ea7b2_bpor Celso Machado

Não sei se alguém gosta, mas acredito que até tenha quem goste de sentir raiva. Mas não eu: detesto isso. Para ser mais claro, tenho raiva de ter raiva. Sou daqueles que acreditam que devemos usar nossos sentimentos para coisas mais nobres. Ter raiva é desperdiçar energia com causas menores.

No campo profissional, prefiro engolir sapos embalados em arame farpado do que cuspir fogo diante de uma puxada de tapete. Até no futebol, especialmente depois que o jogo termina, fico chateado comigo por algum gesto intempestivo que não tenha conseguido segurar.

Acredito de verdade que não devemos deixar afetar nosso humor, equilíbrio e serenidade por situações que, muitas vezes, os outros nem sabem a repercussão que estão provocando. Nem mesmo quando são intencionais, pois o gestor dos meus sentimentos deve ser eu e, por extensão, quem gosto e quem gosta de mim. Não aqueles que não simpatizam comigo. Por isso, estou sempre atento e sou meu próprio crítico diante das possíveis reações do meu íntimo. Como humano que sou, portanto cheio de defeitos, manias e imperfeições, fico me policiando quando algo me incomoda para avaliar se não estou sendo egoísta, invejoso ou implicante.

Confesso que, mesmo tendo um gênio tranquilo, sossegado, para não dizer folgado, isso não é tão fácil assim. Não é todo instante que a razão dá conta de controlar a percepção. Tem circunstâncias que não são poucas, que a vontade é de cuspir, não de falar. O ser humano, mesmo sendo racional, não deixa de ser passional.

Chego a ficar feliz quando consigo dominar e administrar esses momentos. Me passa a sensação de que estou conseguindo ser meu próprio peão, dominando e domesticando meus ímpetos. No entanto, tem ocasiões em que mesmo a raiva sendo dominada, fica o aborrecimento. E esse é mais difícil de deletar.

No meu caso, tento que não dure muito, que acabe logo. Que não cause estragos nem a mim nem a outros. Interessante que o que me deixa aborrecido, geralmente não são fatos, assuntos, situações de grande significado e desdobramento. Até pelo contrário, por vezes, são banais.

Banais, mas trazem consigo a decepção da falta de consideração e do desrespeito, de quem está ao lado, mas não do nosso lado. E nessa hora não interessa que os responsáveis por isso talvez nem saibam o que estão provocando. A falta de atenção é uma das mais claras evidências de desprezo.

Não é ser romântico e, se for, vá lá que seja, mas tem muita coisa que a gente gostaria de estar envolvido, participando e produzindo, não por grana. Mas pela causa. Pela identificação com o propósito. Para não piorar, quando estou aborrecido, prefiro ficar reservado e calado. Creio que meu silêncio fala melhor do que minhas palavras.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 25 DE JULHO DE 2015.

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Categoria:

Mineiridades

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