Adicionado por em 2016-02-16

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Por Celso Machado

Captura de Tela 2016-02-16 às 10.33.09Há mais ou menos 5 anos, temos um racha de futebol society no Cajubá. Por ele abri mão do que frequentava há mais de 20 anos nas Mansões Aeroporto. Não só eu, mas também mais alguns que fizemos opção por novo local e nova turma. Nova turma é o modo de dizer, porque é formada por velhos amigos, em que a grande maioria já passou da faixa dos 50. Alguns até há bem mais tempo.

O racha do “Viola” como é conhecido em homenagem ao nosso patrono tem algumas peculiaridades que o tornam diferenciado. Compartilho algumas. Pontualidade: nunca começa no horário, tanto as quartas como aos domingos. Inicia sempre uns 15 minutos antes. Outra, faça chuva ou sol forte, frio ou calor, a presença é expressiva. Só que com frequência faltam goleiros. O que não deixa de ser exclusividade nossa, goleiro é como cunhado cozinheiro e bonzinho, difícil de encontrar. Mais uma, quase nunca os times são bem distribuídos. Como o Viola é quem forma, quando ele está de “birra”com alguém põe no time mais fraco. Quando esta de boa, põe a gente no time dele. Confesso que ao longo destes anos todos ainda não cheguei a conclusão do que é pior. Normalmente quem chega atrasado leva vantagem. Porque joga dois rachas seguidos e aí o time é formado, não por critérios técnicos, mas pelos retardatários. Lógico que há sempre o risco de chegar só os menos talentosos, mas geralmente quem chega mais cedo é que tem menos habilidade.

Apesar da idade um tanto avançada da maioria dos “players” as disputas são acirradas, mas raramente com rispidez. Os “entreveros”quando ocorrem ficam na maioria, nas discussões verbais. Não são raros momentos de boa técnica. Tudo bem que alguns por mero acaso.

Como todos conhecem todos, a gente entende quando alguém está meio agressivo (deve ser problema em casa ou no trabalho). E também procura por notícias quando a pessoa falta várias vezes. Mas inegavelmente o momento mais aguardado é o da “resenha” no bar do clube, após o término dos rachas. Ali as atuações são comentadas e os desempenhos avaliados. Tudo ao sabor de cervejas geladas e tira-gostos razoáveis. Até garçom dá palpite e faz suas análises.

Esse ambiente amigo e descontraído tem sido responsável (ou irresponsável) por recuperar atletas que haviam dependurado as chuteiras.

Tem quem não entende a importância e o valor desses encontros que para nós são mais do que compromissos. São aqueles que não compreendem as amizades sinceras que o esporte é capaz de proporcionar.

Tudo bem que praticar qualquer um é saudável, mas o futebol, no meu ponto de vista é o único que permite qualquer um praticar. Craque, ex-craque ou perna de pau.

Esta semana um dos nossos integrantes, muito carismático e bem humorado, não se sentiu bem após a “contenda”. Foi um “Deus nos acuda” que graças a eficiência do atendimento médico do Cajubá não passou de um susto. Mas todos nós vivemos momentos de angustia e preocupação. E sentimos na pele, que em nossos encontros, o que menos deve importar é o resultado da partida, mas o fortalecimento de nossas amizades.

Não estava presente, mas minha consciência pesou. Tive vontade de lhe pedir desculpas por alguma entrada menos educada uma ou outra “ingresia”.

Mas quando o reencontrei vi que não era preciso, pois isso faz parte do jogo. O prazer de tê-lo de novo e bem conosco supera tudo.

Acredito que depois deste relato muita gente que me pergunta quando vou parar de jogar, vai entender quando digo que espero que demore. E muito.

Publicado no jornal Correio de Uberlândia em 13/02/2016

 

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