Adicionado por em 2015-08-17

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parafuso-de-base-skate-14711-MLB3106065368_092012-Fpor Celso Machado

Não tenho habilidade em atividades manuais, principalmente nas delicadas. Pelo contrário, sou estabanado, afoito e ao contrário do que na maioria das vezes tento evitar de ser, impaciente. Como gosto muito de pescar, quer me ver aborrecido é quando sou obrigado, por força das circunstâncias, tirar enrosco de linha no molinete. Pior ainda quando tenho que desmontá-lo. Na maioria das vezes, abandono ou delego essa tarefa. Acaba sempre sobrando peças e faltando paciência.

Desembaraçar a linha é outro sofrimento, por vezes capaz de me desanimar ao ponto de abdicar de uma atividade que considero tão prazerosa.
Coisas simples como colocar água nas formas de gelo, chip no aparelho celular, bateria em relógio de braço, aparafusar haste de óculos, passar linha no buraco de agulha e outras corriqueiras, na maioria das vezes para mim se transformam num problema. Minhas mãos tremem e o resultado quase sempre é desastroso.

Essa falta de tato procuro ver se consigo restringir exclusivamente ao movimento das minhas mãos. Em hipótese alguma nas relações pessoais.
Gente é muito mais sensível e por isso todo cuidado para não causar estragos.

Lógico que nem sempre é possível, mas especialmente nas pessoas do convívio mais frequente toda atenção é pouca. Geralmente é nos detalhes, nas pequeninas coisas que acabam ocorrendo os maiores desgastes. A nossa habilidade está em conduzir tudo que estiver ao nosso alcance, atentos não só para não magoarmos quem nos é tão querido, como sobretudo e aí acredito um comportamento dos mais recomendados, não deixarmos que eventuais gestos inadequados ou infelizes, possam causar consequências que nos levem a dar mais importância a eles do que ao histórico do relacionamento.

Tenho comigo que todo aquele que fica com raiva de alguém próximo, por uma atitude ou decisão que lhe desagrade, mesmo que ela tenha sido infeliz, na realidade nunca gostou dessa pessoa. Apenas a suportou por interesse, conveniência ou outro motivo qualquer. E estava na espera, apenas aguardando uma brecha ou colocação infeliz para demonstrar seu verdadeiro sentimento.

Porque gostar implica em perdoar. Para viver bem, todos temos que atender a uma série de requisitos, e tolerância, seguramente, é um deles. Até porque nunca somos os únicos tolerantes, quem relaciona conosco, com certeza é também.

A prudência recomenda que nos momentos em que estamos exaltados, quando podemos extravasar divergências pontuais, melhor se resguardar. Ainda que doa o estomago, ingerir e digerir, para nosso aborrecimento não causar estragos muito maiores do que aqueles que estamos passando.

Quem aguenta, evidente que vai ter que aguentar o que não gosta, mas em compensação não vai ter que aguentar as consequências de não aguentar, de botar para fora.

Cuidar das relações cada vez mais será uma habilidade fundamental. E, para os que como eu, não tem habilidade manual, não custa nada lembrar que se machucarmos os músculos das mãos corremos o risco do movimento ser afetado. Se apertarmos demais o parafuso ele vai espanar. E gente é parafuso sensível, delicado, espana à toinha…

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 15 DE AGOSTO DE 2015.

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Categoria:

Mineiridades

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