Adicionado por em 2016-07-30

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

 

escute-o-som-do-silencioPor Celso Machado

Gosto muito de música. E dos mais variados gêneros. Só não sou chegado ao funk e o sertanejo universitário. No mais, vou de clássica, internacional, samba, rock, bolero, pagode, moda de viola e por aí afora.

Inclusive, durante um bom período, estive ligado á área artística. Seja na gestão do festival das nações do Rio Quente Resorts, cujos artistas e decoração eram atribuições da ABC Propaganda, agência que dirigia. Como também na diretoria social do Praia Clube, função que exerci em vários mandatos.

Gosto de assistir apresentações musicais ao vivo. Pode ser em barzinho, roda de amigos, teatros ou grandes espaços públicos.

Mesmo sem ter o menor dom musical, me atrevi a escrever letras, que graças ao talento dos meus parceiros, até que deram em canções razoáveis. Especialmente a última, Simplesmente Minas, da qual tenho muito orgulho.

Creio que estas informações sejam suficientes para mostrar minha admiração pela música.

Mas não sei se pelo fato do passar dos anos, de estar me tornando cada dia menos novo, ultimamente tem aumentado minha predileção por um gênero nem sempre devidamente valorizado, o silêncio.

Nos finais de semana então me dedico a ele com preferência quase que total. E me encanto com a beleza de outros sons que me proporciona, especialmente no sítio que vou com assídua frequência e que me propicia a conviver mais de perto com a natureza.

Que beleza ouvir o canto dos pássaros, o “tô fraco” das angolas, o barulho da cachoeira que em muitos dias a torna muito mais próxima do que é.

Como é gostoso acariciar os ouvidos com a suavidade dos sussurros dos pequenos insetos, do vento que move as árvores, dos estalos causados pelos galhos que quebram. O sopro da brisa, o barulho das aves buscando os espaços nas árvores para dormirem. E se fosse eleger a primeira colocada no paradão de sucessos, pra mim, o barulho da chuva seria líder absoluto.

Com frequência me pego desligando o rádio do carro, principalmente num trajeto um pouco mais longo para conversar comigo. E poder me concentrar em ideias, pensamentos, projetos e reflexões.

Esse hábito relativamente novo também me leva a descobrir fatos muitas vezes relegados pela regularidade de ligar o rádio assim que dou partida no carro, os barulhos internos.

Aí quebra o encanto. E o aborrecimento aumenta. O jeito é tentar descobrir como solucionar isso. Então descobrimos moedas, parafusos, canetas e inúmeros “trecos” que vamos colocando sem cuidado em laterais e consoles. Que na maioria não servem para nada ou são pouco usados, mas que provocam ruídos que perturbam tanto, quando prestamos atenção a eles.

A partir desse ato de apreciar o silêncio, comecei a despertar para uma série de coisas boas que me proporciona.

Surgem ideias das mais diversas, projetos ousados, descubro soluções novas para velhos problemas. Amanso meus ímpetos, perdoou quem me magoou. Também a mim mesmo pelo que fiz e que me arrependo de ter feito. Deixo a imaginação fluir, as recordações trazerem momentos marcantes de volta. Penso no que fiz, porque fiz, o que quero fazer, como fazer.

Viajo. Até para onde nunca fui.

Volto quando chego ao destino, mais feliz, leve e disposto. Feliz com a conversa que tive comigo. Com a forma com que utilizei meu tempo. Com tudo que acrescentei e refleti.

Por isso, mesmo correndo o risco de ser saudosista, mas não deixando de ser sincero, cada vez mais venho pensando nesse período musical tão pobre que estamos vivendo. De letras ridículas e sucessos efêmeros, de cachês fabulosos e ingressos caros. Daí, se alguém quiser saber o gênero musical que atualmente é o da minha preferência, não tenho a menor dúvida em responder: o som do silêncio.

Publicado originalmente no jornal Correio de Uberlândia, caderno Revista, edição de 30 de julho de 2016.

 

 

 

 

 

 

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

Deixe um Comentário