Adicionado por em 2016-07-23

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uma-notícia-boaPor Celso Machado

Não me considero uma pessoa muito antenada, dessas que estão a par de tudo. Dominam os mais variados assuntos com profundidade e amplitude. Super atualizado em relação às questões da doutrina islâmica, as oscilações e previsões da bolsa de valores, as perspectivas da economia chinesa e outros temas igualmente relevantes.

Mas também não sou desses desligados que nem sabem que temos um presidente provisório, olimpíadas no próximo mês, eleições municipais em outubro, o nome do técnico da seleção olímpica de futebol e por aí afora.

Portanto não sou, nem quero estar e ficar alienado. Alheio a realidade difícil que estamos vivendo e da brutalidade irracional a que estamos sendo submetidos. De tudo que estamos passando, dos sacrifícios que temos que fazer, dos riscos e precauções que temos que adotar. De viver como diria um velho companheiro com sua sabedoria mineira “fritando o peixe com o olho no gato”. Ou com a filosofia de outro amigo, este goiano que sempre nos alertava para quem tomava atitudes sem avaliar as possibilidades de suas consequências, de que “cachorro que come osso sabe muito bem o tamanho do escapamento que ele tem”. E aqui a expressão escapamento substitui outra mais vulgar daquela parte da anatomia animal.

Entretanto, confesso que ando, e aqui vou ser mais popular, com o “saco cheio” do bombardeio do noticiário, tanto impresso quanto digital, de tragédias, roubalheiras e demais tipos de crimes.

Da banalização e valorização midiática da desgraça. Da barbárie, da roubalheira, da ganância desenfreada. De cafajestes, ladrões, loucos, assassinos, sádicos, imbecis e outros espécimes ignóbeis sendo popularizados. De tudo que é ruim sendo manchete, ganhando destaque e espaço.

Sinto até vontade de sugerir a mudança do nome de alguns programas cujos títulos ficaram completamente defasados.

Por exemplo o “bom dia” por mim deveria se chamar “péssimo dia” pois mais de 90% de suas matérias abordam problemas e situações terríveis. O “alerta geral” ficaria melhor se mudasse para “Fedentina total” pois só traz *** como notícia. Melhor parar por aqui pois a lista de programas que tem um título e o conteúdo é outro, é grande demais. Nem merece que estendamos mais comentários sobre ela.

Claro que fatos ruins tem que ser divulgados não só para informar como também para alertar. Para estimular que sejam solucionados, manifestar nossa indignação e reação diante deles.

Mas por que não promover o bem? Por que não divulgar tanta coisa e tantas pessoas que realizam trabalhos maravilhosos?

Dos simples e humildes que diariamente dão lição de honestidade, de trabalho, de superação. De solidariedade. De sabedoria e grandeza.

Dos corajosos que montam negócios, arriscam tudo para fazer o Brasil crescer, abrir oportunidades para outras pessoas, pagar as contas públicas, girar a roda do progresso?

Do empregado que dedica seu talento, esforço e comprometimento com as organizações em que coloca toda sua energia para ajudá-las a crescer?

Daqueles que agem com ética, com seriedade, compromissados com o bem?

Me incomoda saber que o gesto do atendente do estacionamento que devolveu a nota de 100 reais para um cliente que a passou confundindo com uma de 2 reais não será valorizado, sequer elogiado.

O político autêntico que luta pelo povo e age com seriedade, mas que não vê seus esforços sendo reconhecidos e pelo contrário acaba recebendo a mesma avaliação de seus pares mais perniciosos.

Professoras que adotam crianças e jovens com o maior empenho e ficam no anonimato exercendo um papel que muitas vezes é mais importante do que o dos familiares.

Bairros que só aparecem nos noticiários quando acontecem crimes por lá gerando um preconceito dos moradores de outras partes da cidade em relação a eles.

Os policiais corretos, os funcionários públicos dedicados, os moto-taxistas cuidadosos, etc.

Já que se fala tanto em cotas para diversos casos, porque não pensar numa cota de tempo ou espaço para promover o bem nos veículos de mídia? Além das colunas sociais?

Independente disso compartilho uma receita que pratico: dedico meu tempo muito mais em falar de coisas positivas, promove-las e valoriza-las, do que em falar das negativas. Olhar tudo que acontece comigo, sempre que possível, de forma a tirar proveito e ver o que pode me oferecer de bom do que ficar lamentando e praguejando.

É pouco, pode ser, mas prá mim faz diferença ficar ligado no positivo. Não viver promovendo e convivendo com o mal, o ruim, o negativo, o deprimente. Não são companhias que escolho, repilo.

Vou além: ouso afirmar que valorizar o bem, reconhecer quem é bom, propagar noticia boa faz muito bem.

Principalmente para a gente.

Publicada originalmente no Caderno Revista, do Jornal Correio de Uberlândia, em 23 de julho de 2016.

 

 

 

 

 

 

 

 

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