Adicionado por em 2014-05-31

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Nos tempos em que o rádio era importante meio para ficar informado.

Nos tempos em que o rádio era importante meio para ficar informado.

Nos meus tempos de ginásio, o acesso a fontes de informação era relativamente restrito. Especialmente para quem não era das classes mais abastadas.  O jeito era frequentar com mais assiduidade a biblioteca pública e pegar emprestado os livros que estavam disponíveis. Essa tarefa tinha seus transtornos porque exigia um cadastro e depois cumprimento de prazo para a entrega.

Em razão disso, quem buscava conhecimento não perdia as chances que surgiam. Fosse programas de rádio, almanaque do Biotônico Fontoura que as farmácias ofereciam anualmente, conversas em salão de barbeiro e por aí afora.
Como sempre tive excelentes professores de português, só para citar alguns deles, Tasso Melo, José Pires, Gontijo, Nelson Cupertino, dentre outros, adorava ler nos livros de gramática trechos de autores brasileiros.

As fábulas de Malba Tahan, as poesias de Gonçalves Dias, as histórias de Monteiro Lobato, as crônicas de Rubem Braga e outras me fascinavam. Até hoje sou capaz de lembrar trechos completos delas. Pelo que me tocaram e sensibilizaram.
Dentre muitas, tinha uma que particularmente me encantava. Era de autoria do notável poeta fluminense Raul de Leoni. Seu título “Ingratidão.”

Nos versos que tinham sonoridade e ritmo primorosos, ele falava de uma amendoeira que plantara com “mão ingênua e mansa, que cresceu, cresceu e aos poucos, suavemente, pendeu os ramos sobre um muro em frente e foi frutificar na vizinhança”. E termina dizendo que daí por diante, todas as árvores que plantava, como aquela magnífica amendoeira, vão dar frutos no pomar alheio…”

Volta e meia essa belíssima reflexão me vem a memória. Pena que nem sempre com essa suavidade e encanto.
Principalmente quando a gente vê que ao contrário da criança decantada por Raul Leoni que plantava árvores que iam dar fruto no terreno vizinho, o que encontramos são adultos egoístas. Adultos que plantam árvores, recolhem os frutos e as deixam crescer jogando seus galhos e sujeiras nos terrenos dos vizinhos.

 

Originalmente publicado no Jornal Correio, edição de 31 de maio de 2014

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Categoria:

Mineiridades

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