Adicionado por em 2016-07-16

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cms-image-000471034Entendo que seja natural pessoas terem opiniões e pensamentos diferentes. A diversidade de gostos, de interpretações é que tornam a vida humana tão fascinante e dinâmica.

Concordo igualmente com a avaliação de que todo ponto de vista é a vista de um ponto. Portanto analisado sobre determinada circunstância, o que para uns tem um significado para outros, pode receber avaliação bastante divergente.

Questão de ângulo. Conforme o lado em que me encontro minha visão do todo sempre está sendo influenciada por ele.

Até aí acredito que estou repercutindo o que a grande maioria sente.

Vou além um pouquinho, compartilhando algo que me ajudou muito na minha carreira e trajetória, seja profissional ou pessoal: distinguir simpatia, até mesmo empatia, de respeito e reconhecimento. Apesar de serem poucos aqueles que me despertam “ojeriza”, separo claramente o que sinto por eles do significado, do valor do trabalho que fazem, quando relevantes .

Nessas horas costumo dizer que quando não vou com a “cara de certas pessoas” não as convido para vir a minha casa. Tampouco para fazer parte das minhas rodas de cerveja. Nem por isso deixo de manifestar e reconhecer o mérito quando realizam algo digno e meritório.

Não preciso gostar nem simpatizar para valorizar quem merece. Isto me faz bem.

Não que seja fácil, pois é comum sermos mais generosos com quem temos afinidade e muito mais críticos com quem nos repele. Mas ajuda muito a eliminar ou pelo menos reduzir favorecimentos que são sempre muito prejudiciais.

Especialmente nas situações públicas, sejam elas profissionais ou sociais. Isto é essencial para contribuir com qualquer gestão que queira promover a meritocracia.

Nessas horas me vêm a memória as colocações de um grande político uberlandense, cuja conduta foi marcada pela sobriedade de suas atitudes. E pela franqueza de suas palavras.

Dizia ele, que no exercício do cargo público nunca apadrinhava ninguém. Quem tivesse mérito e competência, convidava para fazer parte de sua equipe. Fosse quem fosse e a qual ideologia política pertencesse. O que considerava essencial era a idoneidade e qualificação para o cargo.

Quanto aos amigos que não se enquadrassem nessa categoria, não mudava nada em relação a eles. Continuavam fazendo parte da sua roda, do seu círculo de relacionamento. Até mesmo dos seus negócios particulares, mas nunca da sua gestão em qualquer entidade que comandasse.

Com isto exerceu brilhantemente diversos cargos institucionais, deixando em todos a marca de sua isenção no desempenho deles. E de uma seriedade admirável.

Dá para imaginar como esse comportamento facilitava seu trabalho. Pela coerência de seu comportamento e pela transparência de seus gestos.

Pena que abandonou a vida pública, já faleceu e tenho dúvidas se deixou herdeiros nesse seu estilo.

Por tudo que estamos vivendo no atual cenário político nacional, que não é só lamentável pelo estágio a que chegamos, como também pelas perspectivas poucos promissoras de mudanças efetivas no futuro, condutas assim resolveriam grande parte desses imensos problemas que estamos vivendo.

Acabaria de vez com esse paradoxo tão usualmente mencionado de que fulano é bom, a equipe dele é que é ruim. Como se quem forma a equipe não tenha responsabilidade pela qualidade e desempenho dela. Dos acordos e conchavos com partidos e representatividades.

As próximas eleições municipais, agora que a “grana” está curta e as fontes de financiamento falidas, bem que poderiam ser um marco nesse sentido.

Servir para separar o que é público do privado. A começar pelo eleitor, que escolhesse em quem votar pela credibilidade do candidato e não por eventuais interesses do que pode se beneficiar com sua eleição. Nem também apenas pela relação de amizade com fulano ou sicrano.

Por parte do candidato, formar equipes baseadas no critério do mérito e idoneidade. Pela vocação e disposição de trabalhar. E assumir que quem administra dinheiro público, dos outros, tem que ser mais rigoroso nisso do que em relação a suas finanças pessoais.

E os amigos, bem, se são de verdade, continuarão sendo amigos. Companheiros leais e solidários.

Porque amigo assim nunca é problema, mas os “muy amigos” desses a gente precisa ficar atento e se livrar deles o mais rápido possível.

 

Publicado originalmente no caderno Revista do Jornal Correio de Uberlândia, em 16 de julho de 2016.

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Categoria:

Mineiridades

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