Adicionado por em 2015-11-02

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cachorro-dando-patapor Celso Machado

Há coisa de um ano, acrescentei uma outra personagem na minha vida: uma cachorrinha vira-lata. Herança de um caseiro que deixou o emprego e não a levou na mudança. Simplesmente a deixou no nosso sítio. O casal que o substituiu a adotou e cuida junto com outros animais que trouxe.

Como vamos lá praticamente todas os finais de semana, ela passou a fazer parte da nossa rotina. Fica nos esperando na porta da casa do caseiro e quando chegamos vem correndo nos receber. A partir daí, muda seu endereço e fica o tempo todo na nossa casa, que fica distante uns 500 metros.

No começo, apenas por dó, aceitava sua companhia, mas com o tempo aprendi a valorizá-la. Como não tenho muita simpatia por cobras e outros peçonhentos, ela chegar na frente me dá a tranquilidade que não estou recebendo outras “visitas” indesejáveis. Baixinha e pretinha, tem o nome pomposo de Pantera. Não nego que muitas vezes levo algum pedaço de costela para ela, o que de vez em quando me cria embaraço. Noutro dia, estava no açougue que frequento regularmente e pedi meio quilo da dita cuja. Por ser freguês assíduo, o atendente, para me agradar, em voz alta falou que ia caprichar e escolher uma bem especial. Como havia muita gente, não quis informar qual utilização ela teria. Nesse final de semana, a Pantera realmente teve uma refeição pra lá de especial.

Na correria em que vivemos, nem sempre isso acontece. Muitas vezes não levo nada. E isso não muda a forma com que ela nos trata, muito menos sua presença fiel ao nosso lado. Nessa alternância entre levar ou não o que a agrada, só uma coisa não muda: o carinho e a atenção que lhe dedicamos. Com isso, ela passou a ser uma companhia querida, que me acompanha no sítio por onde ando.

Recentemente, estava lá gravando as “cabeças” da série “Simplesmente Minas”. E claro, ela ao meu lado. Num determinado momento, o Texera, que estava fazendo direção de fotografia e câmera, avisou que íamos começar a gravação. Estava distante uns 30 metros de mim. A Nara, diretora do programa, ia dar o sinal para que começasse a falar, quando ele interrompeu. Ela perguntou o que havia acontecido. Aí o Texera soltou essa pérola: “Celso, tira essa mochila preta de cima da sua perna”.

Dei uma risada e falei que podíamos começar a gravar porque aquela “mochila preta” ia continuar ali. Era a Pantera no meu colo. Parece que ela gostou, porque depois participou de outras cenas. Eu também. Cada vez mais, gosto de ter uma “mochila preta” comigo todos os finais de semana. Por ser tão fiel apenas porque lhe trato bem e lhe dou um pouquinho de carinho. E porque me reforça a crença de que o bicho homem também não é diferente: tem as mesmas carências de afeto e atenção.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 31 DE OUTUBRO DE 2015.

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Categoria:

Mineiridades

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