Adicionado por em 2015-10-26

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GrandeOtelo3REDUZpor Celso Machado

O fato do centenário do extraordinário Grande Otelo que Uberlândia teve o privilégio de ser escolhida como seu berço natal não ter tido maiores comemorações gerou muitas críticas. Merecidas. Porque seu talento e sua trajetória artística fazem jus a reconhecimentos bem mais relevantes por parte da nossa cidade. Li várias observações sobre o assunto e, volto a afirmar, concordo com elas.

Mas penso que culpar quem quer que seja, ainda que possa fazer sentido, é menos fácil do que assumir o papel que podemos como cidadãos. Não me isento e estou longe de retribuir o que Uberlândia generosamente sempre me proporcionou e tem me proporcionado. Mas tenho tentado fazer com que pessoas de notável contribuição em diferentes segmentos da cidade sejam reconhecidas.

No caso de Grande Otelo foi capa da edição 8 do almanaque Uberlândia de Ontem e Sempre, lançado em fevereiro deste ano. Que mereceu carinhoso reconhecimento de seu filho, que infelizmente não pode estar presente no evento. E se Uberlândia deve e realmente precisa ser mais reconhecida a Grande Otelo, é preciso reconhecer que a lista de nossas dívidas não fica restrita a ele. Ouso enumerar outras figuras que nossa cidade que devemos reverenciar com maior gratidão.

Na minha lista incluo o excepcional músico cego Ladário Teixeira, o professor e escritor Nelson Cupertino, só para citar dois expoentes da nossas artes, igualmente pouco reconhecidos. Vou além, acredito que devemos manifestar nosso apreço e consideração ainda em vida. Dizer, na presença, a quem admiramos o tanto que as reconhecemos e respeitamos. Será que estamos fazendo isso com Rondon Pacheco, Julieta Cupertino, Cora Pavan Capparelli, Martha Pannunzio, Warwick Estevam Kerr, Nalva Aguiar e tantos outros?

Tenho aprendido que o real significado de uma homenagem não está na sua formatação, mas na sua autenticidade. Pessoas extraordinárias como as que citei e tantas outras que não mencionei porque a lista é imensa, são simples. O que as toca não são troféus nem eventos de gala, mas respeito, atenção, carinho, consideração. Um abraço, um aplauso, uma palavra de admiração valem muito mais do que títulos e condecorações. E isto todos nós podemos fazer. Independente de cargo, posição ou influência. A cidade não é propriedade das autoridades, que são passageiras, temporárias, mas dos cidadãos.

O que nasce dentro do coração é a mais legítima das homenagens. Aprendi isso há tempos com uma pessoa maravilhosa, que é a simbologia da simplicidade. Disse-me ela que em toda sua vida sempre deu mais valor ao cartão do que ao presente. Porque na mensagem está a verdadeira intenção do gesto. Está aquilo que a pessoa quis lhe transmitir. Por isso, para ela bastava o cartão para lhe deixar feliz. Fica aí uma boa reflexão para fazermos aproveitando a indignação das limitadas homenagens a Grande Otelo. Que cuidados estamos tendo com os bilhetes que estamos escrevendo. E principalmente com aqueles que estamos deixando de redigir e entregar.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 24 DE OUTUBRO DE 2015.

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Categoria:

Mineiridades

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