Adicionado por em 2014-09-16

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Gosto de conversar. Essa é uma característica que herdei dos meus pais lusitanos. E gosto tanto de falar quanto de ouvir, ainda que nem sempre consiga, como deveria, harmonizar ambos. Tenho tentado isso, porque mesmo que, por vezes falo muito, de uns bons tempos para cá tenho dedicado maior atenção em ouvir.

Essa tem sido uma das fontes mais generosas e abrangentes de aprendizado que tenho me servido. De toda conversa sempre dá para tirar algo proveitoso. Que acrescenta nossas informações, que nos alerta, inspira ou motiva. E quando damos azar dela ser absolutamente aborrecida pelo menos podemos tirar proveito de tomar cuidado para não incorrermos na mesma indelicadeza.

Nesses momentos aproveito para refletir sobre a minha capacidade de tolerância. Até onde e como vou conseguir me comportar para não demonstrar minha avaliação. Não é fácil, mas com um pouquinho de boa vontade dá para aguentar. Agora quando o limite estiver acima da nossa capacidade de resignação e o sinal de impaciência estiver a ponto de ser acionado, sugiro uma saída que tem dado certo: peço licença e vou ao banheiro.

Fico lá um bom tempo para reanimar minha paciência e na volta mudo o rumo da conversa. Ou se puder, faço melhor ainda, mudo de interlocutor. O único risco dessa tática é se estivermos na empresa, clube ou num lugar público qualquer, se a pessoa for do mesmo sexo, é ela entrar no banheiro junto e continuar sua prosa irritante. Mas aí convenhamos, a culpa também terá sido nossa. Nesse caso não tem outra alternativa, é despedir e tomar outro rumo.

Felizmente essas situações são esporádicas porque das poucas coisas na vida em que há classificação indiscutível é sobre pessoas chatas. O chato é unanime. Chato é chato para todo mundo. Com isso fica fácil de ser identificado e evitado. Não tem essa de ser chato para uns e não ser para outros. Chato é sempre chato.

O que acontece com frequência é chato que a gente não conhece. O chato novo. Desses que entram nas nossas conversas sem serem convidados e aproveitam para expor toda sua chatice. Carentes de plateia para exibir todo seu manancial de inconveniências.

Outro tipo de chato que a gente precisa tomar cuidado é com aquele que, por uma promoção profissional, um sucesso na carreira, até mesmo uma herança não dá conta de compatibilizar seu comportamento com seu novo status. Não fica só mais importante, fica convencido. Fica aborrecido.

E como é chato o novo chato. Porque como não tem passado de chato, chateia ainda mais contando, em detalhes, coisas que para nós não fazem a menor diferença. É o chato do carro novo, da nova posição, da nova casa, da nova conquista. Ou que fez mestrado, doutorado, MBA ou outro curso qualquer e acha que a partir disso sabe mais do que os outros. Esse é o chato com graduação.

Tem ainda o chato amigo. Aquele que a gente sabe que é chato, mas conduz isso numa boa. É só ter um pouquinho de paciência e dar uma dose a mais de atenção. Até porque em outra coisa chato é unanime: todos são carentes de atenção. Por falar em chato vou parando por aqui…

Desculpem minha chatice de hoje.

 

Publicada originalmente no Jornal Correio de Uberlândia, no dia 13 de setembro de 2014.

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