Adicionado por em 2015-05-11

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RED-Bolinho-de-Bacalhau-Incluso-no-rodizio-8800-por-pessoapor Celso Machado

Ainda agora quando entro na casa onde ela morou a maior parte da sua vida e hoje exerço parte das minhas atividades, sinto sua presença. E bate aquela saudade de querer reencontrá-la. Poder contar os tantos casos que ela gostaria imensamente de conhecer desses 14 anos que estamos separados. Não só porque eles aumentaram e diversificaram muito nesse período, como principalmente pela sua paciência e interesse em escutá-los. Fossem do seu agrado ou não. Porque dentre tantas generosidades que ela distribuía, sem dúvida, uma das que lembro e relembro com frequência era seu carinho em me ouvir. Não esse ouvir de ficar apenas calada, mas de prestar atenção, se interessar pelo assunto, participar e comentar. Sem mostrar ou demonstrar impaciência, sem interrupções. No final sim, aí fazia suas considerações sempre tão autênticas, sempre cheias de sabedoria, de carinho. Observações que me passavam não só a prova de como ela tinha ficado atenta, mas sobretudo de como havia valido a pena ter lhe contado aquele caso, aquele assunto, aquele comentário.

Ao entrar na cozinha antes tão recheada dos deliciosos aromas dos temperos portugueses e que foi transformada numa copa habitada exclusivamente por água, café e pão, meu paladar evoca as maravilhas culinárias que ela produzia ali.

Ingredientes básicos como alho, alface, tomate, cebola, um pedaço de carne e arroz se transformavam rapidamente numa deliciosa refeição que ela fazia como poucas: salada com bife acebolado.

Claro que quando meu paladar apura um pouquinho mais, ainda sinto na boca o sabor inigualável de suas famosas bacalhoadas. Que fizeram fama e a transformaram numa referência. A foto que temos dela produzida para um supermercado ensinando como prepará-la é uma preciosidade. Tenho esperança de recuperar o vídeo que produzimos nessa mesma época e que deve estar entre as mais de 5 mil horas de filmagens que temos na Close.

Se suas bacalhoadas faziam jus ao reconhecimento que sempre tiveram, seus bolinhos de bacalhau são incomparáveis. Nem em Portugal, nos melhores restaurantes da culinária portuguesa, consegui encontrar outros iguais. Tenrinhos, macios, saborosos. Com batata e bacalhau na medida exata e fritos na temperatura certa.

Me pego também muitas vezes querendo ligar para ela, seja para contar onde estou, o que estou fazendo, mas principalmente para convidá-la para sair conosco. Porque quando fazia isso, ela nem perguntava para onde iríamos, pedia apenas 15 minutos. E quando chegava à sua casa, ela já estava no último degrau da escada, esperando. De batom e com um sorriso largo de satisfação.

Era nossa companhia e companheira. Como era fácil agradá-la. Não precisava de presentes, nem de outros agrados. Bastava lhe dar atenção.
Que falta nos faz. Que privilégio ter tido uma mãe assim. Que certamente é semelhante ao de todo filho que teve uma mãe amiga, companheira, marcante.

Feliz dia das mães para quem tem mãe. E um dia das mães mais feliz ainda para quem teve uma mãe como eu tive.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 9 DE MAIO DE 2015.

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Categoria:

Mineiridades

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