Adicionado por em 2016-06-11

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imagesPor Celso Machado

Aprendi há um bom tempo que existem situações na vida que são únicas e só quem as está vivendo é capaz verdadeiramente de avaliar sua dimensão, intensidade e desdobramento. O que está provocando e os efeitos que causa.

Daí porque expressões do tipo “sei que o que você está passando” pode até sugerir um gesto de solidariedade, mas nada tem de autenticidade. São mecanismos até justificáveis de tentar transmitir gentileza e afetividade.

Mas é verdade que ninguém é capaz de sentir o que o outro está sentindo seja em que circunstância for, porque todo sentimento é individual, exclusivo.

Também porque existem situações em que as duas partes sofrem e ainda que não seja possível dimensionar a extensão da dor de cada uma, nenhuma delas está isenta do sentimento de perda que estão passando.

Podem e não devem ser comparáveis, mas são igualmente tristes e lamentáveis.

É o que estamos vivendo atualmente em nosso país com o número de desempregados crescendo de forma assustadora e preocupante.

Não deve ser fácil uma pessoa dedicada, qualificada profissionalmente e com bom desempenho ter sua carreira mudada de forma brusca. Planos de vida mudarem de forma brusca e um enorme buraco de perspectiva se abrir diante de sua frente. Sonhos interrompidos, esperanças transformadas em desilusão.

Compromissos, planos, objetivos serem brutalmente interrompidos pela frieza de uma demissão. A sensação de desvalorização, de injustiça, de ter dedicado tanto tempo em vão a uma causa, uma empresa, um objetivo.

Mas como tudo na vida tem o outro lado, há também a dor de quem tem que demitir. De quem, diante da realidade dos números, não tem outra alternativa do que ajustar seus custos. Fazer cortes, que enfraquecem estruturas, reduzem a competência e abrem mão de qualificações tão essenciais para o bom desempenho dos negócios.

É a dor do dono. De quem investiu em pessoas, contribuiu para qualificá-las profissionalmente, criou relações que vão além das profissionais.

É o caro preço de pagar, de abrir mão, deixar de contar com aliados valiosos, correr o risco de vê-los prestando seus serviços para concorrentes. E o mais triste, muitas vezes, ver colaboradores queridos transformados em críticos magoados. Ressentidos.

Toda pessoa que teve a iniciativa de abrir um negócio, apostou suas finanças, tempo, tudo mais e diante de uma crise financeira foi obrigada a tomar medidas sabe do que estou comentando. Também sofre.

Sofre a dor do dono que tem que demitir. A dor única e individual, como sente todo aquele que é ou foi demitido….

 

Publicada originalmente no Jornal Correio, em 11 de junho de 2016

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