Adicionado por em 2015-04-27

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por Celso Machado

Mother Smiling at SonTive um chefe bem no começo da minha carreira profissional que não gostava de elogiar seus subordinados. Nem nos momentos em que superavam sua expectativa por um desempenho acima da expectativa. Alegava que, se fizesse isso, estaria sujeito a um pedido de aumento de salário.

Como se as pessoas fossem sensibilizadas exclusivamente por dinheiro. Que não tivessem outras motivações tão ou mais relevantes como reconhecimento e valorização.

Ainda que na minha avaliação o argumento fosse pequeno e egoísta, pelo menos, uma justificativa ele tinha para não elogiar. O que tenho mais dificuldade para entender é a quantidade de pessoas que nunca fazem isso sem nem saber porquê. Só consigo imaginar que seja pelo medo de serem taxadas de bajuladoras, ou, numa linguagem mais popular, “puxa-saco”. E pode ser também por inveja. Pelo despeito de verem realizações que não conseguem concretizar, produzidas por outros. Às vezes por pessoas mais simples, menos qualificadas no quesito “status” ou formação.

Até em espetáculos tem aqueles que economizam aplausos, deixando de premiar os artistas com esse tributo de admiração e reverência. Sou muito feliz por não sofrer dessa síndrome. Quando me encanto com uma apresentação aplaudo com entusiasmo e, tem vezes, que chego até a me sentir dentro do palco porque acredito que a plateia faz parte do show. Se me falta talento para muita coisa, (por exemplo, se eu resolver tentar cantar, o microfone fica mudo na hora) me conforta ser dotado da sensibilidade de admirar, de apreciar, de ser tocado, de manifestar meu respeito autêntico por algo bem-feito. Seja no campo profissional, artístico, social ou pessoal.

Não tenho vergonha alguma de reverenciar quem é ou tem um desempenho diferenciado. Inclusive de quem está perto. Porque outra síndrome que afeta a muitos é ser generoso em exaltar pessoas distantes e ser absolutamente críticas com aqueles que fazem parte de seu convívio. Ou próximo dele. Muitas também deixam para fazer isso apenas depois que a pessoa morre. Primeiro, confio cegamente que as pessoas esclarecidas sabem diferenciar muito bem o que é bajular do que é elogiar. Acho muito mais fácil identificar isso do que amigos falsos.

Todos nós, quando somos alvo de reconhecimentos por uma obra, ato ou feito, percebemos isso claramente. Não só pelas palavras, mas sobretudo pela forma com que são transmitidas. Considero um elogio sincero uma forma de reverência, mas também de carinho. E, principalmente, de estímulo, de passar para o outro, que seu esforço, dedicação e desempenho me tocaram. Encantaram meus olhos, fizeram bem ao meu coração e minha alma. E, com certeza, a muita gente mais.

E isto agrada não apenas aos que me sensibilizam, faz bem também para mim. Me proporciona vivenciar que gosto do que é bom, do que é do bem. Que admiro o belo, a magia, o encanto. Que sou capaz de me sentir agraciado pelo talento do outro. Me faz bem ser generoso em elogios. Sei que corro o risco, mas não me importo com isso, de ser taxado de “puxa-saco”. Prefiro isso a ser invejoso, ingrato, despeitado ou frustrado.

Quem abre mão de elogiar com o coração, com autenticidade e sensibilidade, se soubesse o que está perdendo, mudava de atitude rapidamente. Enquanto é tempo.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 25 DE ABRIL DE 2015.

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Categoria:

Mineiridades

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