Adicionado por em 2016-06-18

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luto-negroPor Celso Machado,

Quem o conheceu lembra e vai lembrar dele sempre com muito carinho. Quem não o conheceu, não sabe que pessoa incrível deixou de conhecer.

Sempre alegre, com tiradas muito bem humoradas. Sutis, irônicas, criativas. Tinha um jeito próprio de ver a vida. Privilégio daquelas pessoas que conseguem sem ambição, ter muito. Porque não precisam do que tantos almejam. O suficiente para viver bem não é muito. É estar bem. Por isso vivem tão bem. Melhor do que a grande maioria.

Esse tipo de criatura, cada vez mais rara, que não se apega a riquezas materiais, mas a juntar e conviver com amigos. Repartir alegria, distribuir felicidade. Tornar mais amena a vida de quem não tem esse dom. Enfim, ter a riqueza de viver de bem consigo e com todos ao seu redor.

No futebol foi um craque. Dono de uma habilidade incrível que fazia com a bola o que queria. E com seus marcadores também. Franzino, não tinha velocidade, mas em compensação sobrava talento. Nunca menosprezava os adversários. Atuava sempre com respeito e uma gentileza que não se encontra mais em nosso tempo. Nem nas peladas descontraídas entre amigos.

Seus dribles desconcertantes, curtinhos, eram responsáveis por jogadas de rara beleza. Incrível, mas até no futebol era alegre e irreverente.

Fora do campo continuava o mesmo. Atuava com igual desenvoltura esbanjando sua habilidade extraordinária em ser um amigo agradável.

Onde estivesse, nunca estava sozinho, pois sua companhia era referência de descontração e bom humor. Marcas registradas do seu jeito de ser.

O conheci há uns 50 anos e convivi todo esse tempo com ele. Menos do que gostaria, reconheço. Mas o suficiente para ter por ele grande apreço e carinho.

Lutou bravamente com uma doença dessas que a gente nem gosta de falar o nome.

Em várias fases, seu estado de saúde foi agravado e chegou por mais de uma vez a ser dado como “desenganado”.

Nesses momentos usava toda sua habilidade e talento naquilo que sabia fazer como poucos, driblar. Driblava diagnósticos, previsões, prognósticos. Dava “chapéu” na enfermidade.

Quantos de seus amigos foram visita-lo nesses períodos e acabaram deixando a vida bem antes do que ele.

Eu, que sempre acreditei que a alegria, o bom humor e a vontade de viver são remédios poderosos com capacidade de cura ilimitados, tinha nele minha referência afirmativa.

Até para contar seus sofrimentos e privações, o fazia de forma totalmente debochada.

Nos últimos tempos, por uma série de razões, especialmente o fato de ter mudado minha prática desportiva para longe do lugar em que ele morava, muito pouco estive com ele. Mais uma falha minha.

Sei que ele sentia minha ausência como também sentia a dele. Coisas da vida, dedicamos tanto tempo ao que não tem importância ou quando tem é passageiro, que deixamos de dar atenção àquelas que nos são valiosas.

Perdi mais uma pessoa muito querida. Dessas que não tem reposição. Menos mal que a conheci e desfrutei de sua amizade.

Vou guardar suas lembranças, suas histórias e causos sempre engraçados. Seu jeito brincalhão muito especial de ser.

Descanse em paz meu amigo Arara, você foi um craque em todos os campos em que atuou. E principalmente na arte de viver.

Publicado originalmente no Jornal Correio de Uberlândia, em 18 de junho de 2016.

 

 

 

 

 

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