Adicionado por em 2016-01-27

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

Por Celso Machado

numbers_2638006bDesculpe a sinceridade, mas mesmo tendo nome, você é um número. Ou melhor uma porção de números. Que têm muito maior utilidade e uso do que a denominação que seus pais escolheram para identificá-lo.
Pense em quantas vezes você tem que dar informações a seu respeito por meio de números. O do cadastro das pessoas físicas, o da carteira de identidade, da data de nascimento, da conta na instituição bancária, do telefone celular e do fixo, do tamanho do sapato, da rua em que mora, a hora em que deita ou levanta, do programa preferido, da placa do carro, de todos os tipos de senhas, do protocolo quando você faz uma solicitação ou reclamação, de quanto é sua renda mensal, da pressão arterial e de todos os tipos de avaliação médica, dos minutos na esteira, da poltrona do avião, do tempo que gasta entre sua residência e o trabalho ou seja lá onde for, do tamanho da sua calça ou camisa, da idade da esposa e dos filhos, dos anos de casado, do tempo de casa, do valor da aposentadoria e por aí afora.
Até mesmo quando vai a um restaurante que está lotado e fica esperando vaga quando esta surge você é chamado pelo número que te deram não pelo seu nome.

Ah é claro se for político, quantos votos teve na última eleição, quantos são os seus cabos eleitorais, a quantidade dos colegas de bancada, a verba que administra e para não causar maiores problemas, melhor parar por aqui.

Você é muito mais reconhecido pelos números que fazem parte da sua vida, do que por qualquer outro meio. Soa desumano saber de todos. E ultimamente, para complicar, a maioria da sua movimentação é por meio de senha. A senha para ligar o notebook, acessar o face, movimentar o cartão de crédito, desbloquear o celular, utilizar os meios eletrônicos bancários, liberar o portão do condomínio, ligar ou desligar o alarme, resgatar os pontos dos seus cartões, do token e, com certeza, estou esquecendo de inúmeras outras.

São tantas senhas que os artifícios utilizados para guardá-las vão dando um nó na cabeça da gente, provocando confusões com frequência. E um temor no momento que precisamos utilizar algumas que são necessárias apenas esporadicamente. O dedo vacila tanto quanto a mente e a palpitação toma conta do peito para ver se o resultado vai permitir o desfecho positivo da liberação do acesso.

Tem muitos até que se apegam tanto a números que acabam se tornando energúmenos. De tanto lidar com números e senhas, não atentamos para a impessoalidade que toma conta dos relacionamentos atuais. Até mesmo dos pessoais. Quantas vezes escutamos os pais falando sobre seus filhos usando a expressão ele é o terceiro, o do meio, o primeiro. Mesmo isso tendo se tornado uma realidade inevitável, convenhamos, não é nada agradável quando sentimos que estamos sendo tratados apenas como um número a mais. Ou a menos…

Publicado originalmente no Jornal Correio de Uberlândia, em 23 de janeiro de 2016

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

Deixe um Comentário