Adicionado por em 2016-03-01

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Por Celso MachadodelegadoDe tempos em tempos, gosto de cutucar um vespeiro, mesmo sabendo das enormes possibilidades de que não saia ileso. Que corro sério risco de levar algumas ferroadas. Penso que isso me faz bem para realimentar de adrenalina um temperamento, normalmente, calmo e tranquilo. Para não dizer sossegado. Também porque fico imaginando que cutucar o vespeiro, com certeza, deve servir para não deixar as vespas acomodadas. Folgadas. Unicamente focadas em servir a sua rainha.

Penso e repenso nessas ocasiões. E travo uma batalha mental porque me incomoda imaginar que vou incomodar os outros. Mas a preocupação maior que tenho é que possa provocar confusão, não seja compreendido e que outros possam sentir que as “cutucadas” sejam para eles. Pior, que mire no vespeiro e possa acertar um ninho de cobras. Em determinadas situações e esta é uma delas, assumo o risco. Porque opinião que não possa ser assumida nem compartilhada, tem outro nome. E feio.

Então vamos lá. Ainda bem jovem, no fulgor dos meus 17 anos, pela primeira vez, participei de uma campanha política. Minha função era controlar os impressos, cuidar das equipes para distribuí-los nas vias públicas de uma cidade bem menor e mais tranquila do que a Uberlândia de hoje. Minha proximidade com o candidato me permitia compartilhar de sua agenda e, principalmente, suas conversas com os correligionários e simpatizantes.

Numa delas, que me chamou a atenção, um cabo eleitoral ligou reclamando de um delegado que estava, segundo ele, implicando com os fazendeiros que circulavam de trator pelas ruas de uma pequena cidade vizinha. Nosso candidato ouviu atentamente e disse que tomaria as providências falando na capital. No dia seguinte, recebeu outra ligação, só que, desta vez, agradecendo a pronta substituição do delegado.

Naquela época, a legislação e tudo mais eram bem diferentes das atuais. Mas, pelo jeito, por algumas questões que estamos assistindo, nem tudo mudou. Nossa cidade está passando pela substituição de um delegado de polícia. Segundo o noticiário da imprensa, a mudança está acontecendo, não por questões ligadas ao seu desempenho, que por sinal tem sido bastante positivo. Mas, simplesmente, pelo fato de o cargo ser da cota de um partido político. E por decisão pessoal de um de seus dirigentes.

Mesmo com o posicionamento de várias entidades e também políticos locais pela permanência a sua troca foi mantida. O que implica é o fato de não ter havido nada que explicasse. Pelo menos, publicamente. O poder foi exercido e pronto.

Nada contra o delegado que virá substituí-lo cuja carreira também o qualifica muito bem. E todos nós, pessoas do bem, desejamos sucesso na sua gestão. E estaremos colaborando com ele. Mas que é esquisito trocar uma autoridade que vinha tendo bom desempenho numa cidade do porte da nossa sem ninguém dar uma explicação é.

Até parece que voltamos àquela época em que se trocava um delegado só porque estivesse implicando com fazendeiros que estivessem circulando de trator pela cidade.

Peço desculpas se mexi no vespeiro. E peço só mais uma coisa, se alguém quiser e tiver uma explicação para dar, que não faça para mim. Mas para todos.

Publicado originalmente no Jornal Correio de Uberlândia, de 27 de fevereiro de 2016

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