Adicionado por em 2016-01-14

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2016

Por Celso Machado

Como a grande maioria dos brasileiros, tenho encontrado dificuldades para imaginar um 2016 bom. Os escândalos que não param de suceder, o desastre na condução da política econômica do brasileiro, a possibilidade do impeachment e a falta de confiança nas principais lideranças públicas de todos os partidos entre outras coisas, todas preocupantes, criam um cenário assustador. Ser otimista! É com a positividade que tento impregnar em meus pensamentos, fico imaginando como não deixar me dominar por essa onda negativa, para não dizer broxante.

Nas conversas que tenho a respeito, procuro amenizar o cenário, abordando dois aspectos que me parecem fazer sentido. O primeiro é aceitar que 2016 será muito difícil. Assumindo isso, fica menos complicado enfrentar seus desafios. Porque não tem nada pior do que subestimar um problema. É um ano para não atrasar o pagamento das contas, não para fazer novas. Principalmente sem lastro para pagá-las. Se é nas crises que surgem as oportunidades, no que concordo plenamente, não me parece que deixar de avaliar o tamanho dos riscos seja uma tática recomendável.

Quem participa do meu dia a dia sabe que detesto jogos de azar. Principalmente quando entra aposta no meio. Penso que só quem tem dinheiro sobrando é que pode se dar ao luxo de apostar. Quem não tem, que assista e, se possível, aprenda. Mas apostar não. Para não correr o risco de perder o que não tem. O segundo aspecto, e esse me parece o mais racional, é aproveitar um ano difícil para fazer limpezas, ajustes e cortes necessários.

Por mais que imaginemos nossa vida controlada, sempre é possível fazer ajustes. E reduzir gastos é um deles. Vivemos num mundo consumista em que, na maioria das vezes, somos impelidos a comprar não porque precisamos, mas para recompensar os esforços que dispendemos. Como se bens materiais fossem capazes de resolver outros problemas que nem sempre queremos enfrentar.

Quem sabe 2016 seja um período interessante para nos dedicar a um prazer bem diferente daqueles que comumente praticamos. O prazer de não ter. De não precisar comprar nada para demonstrar nosso status, posição ou condição. Domar nosso ímpeto consumista e nos deliciar com o domínio das nossas rédeas. Evidente que isso não é para todos, mas, convenhamos, tem muita gente que pode fazer isso.

Mas o que pode fazer toda diferença no próximo ano é o papel que assumiremos nele. Tanto na postura que vamos adotar, como nos políticos que iremos eleger. Estou convencido de que a sociedade civil organizada pode, deve e precisa fazer muito mais do que reclamar. Rezar é bom, porque a fé ajuda, mas agir é fundamental.

Taí, quem sabe 2016 não seja um ano adequado para sermos mais cidadãos, mais simples, mais humanos, solidários e leves? Conscientes, tomar atitudes que coincidam com nossas ideias? Votar com mais critério? Ser mais protagonista do que espectador e crítico.

Não sei não, mas estou começando a ficar otimista.

 

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 2 DE JANEIRO DE 2016.

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