Adicionado por em 2016-11-27

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nao-importa-o-que-aconteceu_mediumPor Celso Machado

Gosto muito, mas muito mesmo de ouvir depoimentos. Conhecer fatos e relatos por meio de quem os vivenciou ou de alguma forma teve contato com eles. Gosto tanto que acabei fazendo disso uma das minhas atividades profissionais. Dentre as várias que exerço,  uma delas a que me dedico com prazer e paixão,  é registrar histórias de vida.

Em cada uma conheço riquezas preciosas, quase sempre escondidas pela simplicidade do depoente, mas principalmente pelo descaso que a maioria das pessoas tem em escutar os outros. No mundo atual todo mundo está tão ocupado, envolvido com seus interesses que pouco tempo, pra não dizer quase nenhum, dedicam para saber mais sobre quem muitas vezes é tão próximo de nós.  Costumo dizer que passamos dois terços da nossa vida sem tempo para ouvir quem precisa tanto da nossa atenção e um terço buscando incessantemente quem possa nos dar ouvidos.

Por meio desses registros, mesmo sabendo que não sei nada, me pego muitas vezes acreditando que já aprendi muito.

O mais fascinante é que toda pessoa tem uma história de vida rica. Com ensinamentos, lições e aprendizados. Não apenas as conhecidas e reconhecidas. Os simples e até mesmo simplórios também

Mesmo aquelas cujas condutas não aprovamos e repelimos tem muito que nos transmitir.

Na lista dessas, uma está no time daquelas que gostaria de colher seu depoimento. Especialmente agora que está com 88 anos de idade. Pode parecer estranho, mas tenho uma vontade grande, enorme de entrevistar o juiz Nicolau dos Santos Neto, que ficou conhecido como Nicolau “Lalau”.

Me fascina saber o que levou um juiz de prestígio, de posses, de formação considerável, ir para um caminho que o tornou referência e expressão daquele que rouba.

Trocar o respeito que seu cargo proporcionava, o conforto de uma bela remuneração, o círculo de relacionamento de pessoas influentes, pela solidão e desprezo da sociedade.

Como deve se sentir quem não tem mais amigos? Ver os filhos e netos terem vergonha do pai, do avô? Aquele que ditava sentenças,  ter que se submeter a elas?

O que o inspira e motiva? O que dá sentido a sua vida?

E principalmente o que o dinheiro que desviou foi capaz de lhe proporcionar de valioso. O que acrescentou de propósito na sua vida. Do que tem orgulho de ter feito.

Reconheço que o risco é enorme quando vejo os escândalos sem fim que estão sendo revelados em nosso país.

A quantidade, o tamanho e a “cara de pau” de quem desvia dinheiro público, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Me assusta ainda mais como, mesmo prendendo poderosos, o roubo não diminui, pelo contrário, aumenta. Seja por gente da esquerda, do centro ou da direita. Como se a ideologia que prevalece é a de tirar proveito próprio.

Que a moralização tão desejada e aguardada esteja demorando tanto.

Lógico que é preciso reconhecer, valorizar e agradecer a conduta de quem está atuando com rigor e firmeza. Que estamos vivendo um período de depuração para extirpar pragas (pelo menos é o que esperamos e desejamos).

Mas não deixa de ser preocupante saber que o juiz “Lalau” foi preso em 2000, portanto há 16 anos e agora, em razão da idade e saúde, está em liberdade.

Minha última pergunta, caso tivesse oportunidade de conversar com ele, seria lhe perguntar “valeu a pena?”.

Diante do que estamos assistindo, ando meio preocupado. Tenho receio da resposta que ele possa dar…

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