Adicionado por em 2016-08-09

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

quem-sou-euPor Celso Machado

Gosto de observar pessoas, seus gestos e atitudes. Tentar compreender o que leva alguém a ter determinados comportamentos, reações. Mas não faço isso apenas em relação aos outros, também sobre mim mesmo. Para ver se me reconheço. Se meus gestos coincidem com minhas ideias.

Confesso que não são poucas a vezes em que fico perplexo tanto em relação aos outros quanto a mim mesmo. Com as surpresas e sustos que levo e sinto.

O ser humano, e aí me incluo, é quase sempre imprevisível. Se agisse exclusivamente pela razão certamente não seria tão problemático. Também igualmente menos fascinante.

O que torna as pessoas únicas é essa complexidade de nunca sabermos o que realmente pensam e o que farão. Aliás como nós mesmos.

Quantas vezes tento me policiar antevendo situações que vivenciarei para não fazer determinadas coisas, manifestar opiniões polêmicas, me reservar diante delas e na hora H acontece exatamente o contrário?
Sinal de que, se muitas vezes me controlo, em outras meus ímpetos é que me comandam.

E não tem jeito, todos somos quem somos, mas também quem nem sabemos quem somos.

Daí, não me assusta mais reações que aparentemente parecem absurdas de pessoas equilibradas, discretas e arredias quando expostas a certas circunstâncias.

O ridículo de muitos gestos e a infantilidade de pessoas maduras.

Interessante é que a medida em que o tempo vai passando e vamos ficando menos jovens, como é a terminologia mais suave com que busco encarar a velhice, imagino que vamos valorizando aspectos que são fundamentais em nossa vida como relacionamentos, saúde, equilíbrio etc. E dando menos importância a outros que aparentemente vão se tornando menores. Como comentários, avaliações, vaidades etc.

Mas não é isto que acontece. Quando observamos, percebemos quem valoriza muito mais a opinião alheia do que propriamente suas intenções e postura. Como se necessitassem do aval de terceiros, do seu referendo e reconhecimento para o comportamento que escolhem, o estilo de vida que adotam.

Basta um simples comentário crítico e pronto. Está instalada uma crise. E toma explicações e reflexões. Fulana deve achar que sou assim. Está indiferente comigo porque esqueci de cumprimentá-la no seu aniversário, no batizado do filho e por aí afora.

Nesses momentos, tão importante quanto questões absolutamente relevantes, outras bem menores passam a dominar nossa atenção.

O comentário de que demos uma engordada, estamos abatidos ou menos dispostos ditos por quem até não tem tanta importância assim em nossas vidas e nem se preocupa com elas se torna mais preocupante do que as orientações dos nossos médicos ou fisioterapeutas.

Observando isso e aproveitando para avaliar a mim mesmo, me pego refletindo como é interessante o bicho homem.

Dá tanta importância àquilo que deve e merece ter importância do que em relação àquilo que é supérfluo e passageiro.

Sinal de que tudo nas nossas vidas tem valor e importância. Nos impacta e marca.
O que é relevante e o que é irrelevante.

Coisas grandes são tão importantes quanto as pequenas. Elogios e comentários causam tanto impacto quanto diagnósticos e exames.

Sinal de que somos humanos. Fortes e frágeis.

De que tudo que vejo de estranho e contraditório nos outros também, com certeza, todos eles percebem em mim.

Que sou o que sou o oposto do que acho que sou. Que descubro todos os dias coisas novas nos outros e, igualmente, nessa figura contraditória que sou eu.

E aí vem a conclusão óbvia: como pensar que conhecemos como é alguém, se nem sabemos com segurança quem somos?

Publicado originalmente no Jornal Correio de Uberlândia, em 6 de agosto de 2015.

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

Deixe um Comentário