Adicionado por em 2015-04-20

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garapapor Celso Machado

Tive momentos difíceis numa fase da minha vida profissional. Foi em 1975, quando abri mão de uma carreira promissora numa empresa maravilhosa, a CTBC, para investir na minha paixão por jornalismo empresarial.

Além da pouca experiência, das minhas dificuldades em organização e controle, enfrentei também as limitações do parque gráfico de Uberlândia. Que, para produzir jornais, só tinha uma tipografia que os imprimia na base dos clichês e linotipo.

Dois anos depois, continuava com muitos projetos em andamento: jornal do Praia, da Aciub, de diferentes clubes de Lions, revista Liderança etc. E com dívidas que me levaram a vender carro, terrenos, telefone e outros bens. Foi quando recebi o convite de uma pessoa que não conhecia, Edson Lúcio de Paula, para produzir meus jornais e revistas na sua gráfica, a Ubergral. Que foi a primeira a imprimir em off-set e também a contar com uma máquina de foto-composição.

De temperamento difícil, mas muito conhecedor de fotografia, aprendi bastante com ele. Não sobre fotografia, mas sobre a vida e suas dificuldades. Ou melhor, como superá-las. Nesse período de apertos que não imaginava, sempre tive ao lado um companheiro para todas as horas, Mauro.

Vindo de Santa Helena, ele que era radialista, não sei porque resolveu me acompanhar no campo do jornalismo empresarial. Ajudava na comercialização dos anúncios, na redação das matérias e na montagem das artes.

Nos cortes e recortes dos “past-ups”, usando tesoura e cola de sapateiro nas artes finais, porque nunca tivemos dinheiro para comprar “letra-set” que eram autocolantes.

Companheiro, me auxiliava também nos “crochés” diários para cobrir a conta bancária, sempre maior do que o saldo. “Croché” para quem não sabe, era uma expressão bancária de quem usava cheques diferentes todos os dias para ganhar tempo na compensação.

Num desses dias, estávamos correndo para ver qual amigo poderia nos socorrer, o Mauro propôs que parássemos um minuto para tomar uma “garapa” em frente a saudosa Predial. Recusei, falando que estávamos com saldo negativo no banco e que precisávamos achar uma solução para resolver isso. Ele entendeu e fez uma profecia: “um dia ainda vamos ter dinheiro para tomar um copo de garapa com tranquilidade”.

O Mauro de quem estou falando é ele mesmo, Mauro Mendonça dos Santos.

Uma pessoa simples, humilde que criou uma revista voltada para a sociedade e que, este mês, completou 30 anos de existência.

Ele não copiou nada de ninguém. Usou da sua imaginação e vivência e deu vida a “Dystaks”.

Quem o acompanha e quem lida no meio, sabe os desafios de conseguir um feito desses.

Ele é um vencedor.

Hoje, por seu esforço e trabalho, pode tomar quantas garapas quiser, tranquilamente. Até mesmo ter uma boa plantação de cana.

Mas olha como a vida tem suas peculiaridades: ele está diabético.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 18 DE ABRIL DE 2015.

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Categoria:

Mineiridades

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