Adicionado por em 2016-11-21

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guarda-chuva2Por Celso Machado,

Começo recorrendo à generosidade da internet para articular o raciocínio do que pretendo provocar: o questionamento sobre determinadas previsões futurísticas.

Essa ousadia dos chamados gurus que preveem várias coisas, mas humanos que são, sempre estarão sujeitos a equívocos. Porque o homem, e ainda bem que assim seja, não é só racional, mas também emocional, animal.

A história dos anzóis de pesca é quase tão antiga quanto a história do próprio homem. É impossível atribuir a alguém  a invenção do anzol, uma vez que os primeiros foram manufaturados pelo homem pré-histórico usando os mais diversos materiais:  ossos, chifres, madeira, conchas.  Enfim, para aumentar suas chances de sobrevivência, nossos antepassados utilizaram sua habilidade adaptando e modificando o que encontravam na natureza. Mais ou menos em 4.000 A.C. é que surgiram os anzóis de cobre e posteriormente os de bronze, com o formato parecido com nossos anzóis modernos. Muita coisa mudou nos anzóis nos últimos tempos, mas seu formato e anatomia permanecem praticamente inalterados.

Os guarda chuvas, pela pesquisa que fiz também surgiram há bastante tempo e pouco mudaram em relação a sua estrutura básica. Os mais antigos que se tem conhecimento foram encontrados na Mesopotâmia há cerca de 3.400 anos. De lá pra cá ganharam tamanhos diferentes, um sistema para abrir automaticamente, materiais impermeáveis, mas o seu formato tradicional continua inalterado. Ou seja, nos tempos modernos duas invenções de mais de 3 milênios estão aí, vivas e insubstituíveis.

Já tive oportunidade de participar de vários eventos, assistir filmes, ler trabalhos muito criteriosos que sinalizam mudanças radicais e os impactos da evolução tecnológica. Não tem como não ficar impressionado, nem desprezar essa visão e conhecimento de quem pensa à frente e que está atualizado em termos de tendências. A questão é que tem objetos que teimam em resistir por uma série de razões, igualmente difíceis de explicar. Deve ser por isso que ainda não consegui obter de nenhum guru com quem tive oportunidade de conversar, uma previsão sobre o futuro dos anzóis e dos guardas chuvas.

Evidente que certos hábitos sofrerão os impactos de novas tecnologias, mas assegurar que irão acabar pode ser um equívoco. Fico vendo a questão das fotografias. Experimente colocar um porta retrato digital na sua mesa de trabalho. Também esparrame uma série de fotografias impressas sobre ela. E veja qual irá provocar maior atenção. Comento isso porque fiz esta experiência, a curiosidade de pegar certamente vai prevalecer. Aliás, a questão de tocar está muito ligada aos nossos sentidos. Seja na feira, numa boutique, na bochecha dos bebês, prá não falar em determinadas anatomias de adultos.

Tenho o mesmo raciocínio em relação a mídia impressa. Que está passando e vai passar por mudanças radicais não tenho a menor dúvida, mas de que vai acabar, não estou tão seguro assim.

Termino reproduzindo um depoimento do notável jornalista, radialista, escritor, produtor de TV e outras mídias, Luiz Fernando Quirino gravado em 1987, “A imprensa é tão antiga quanto Guttemberg. Sempre se ouviu falar que quando viesse a televisão, acabava o cinema. Quando chegasse o rádio, acabava o jornal. Mas não acabou porque a imprensa tem um papel diferente. Ela é o arquivo da história. Sempre existirá a imprensa, evidentemente se modernizando”.

Quem sabe o jornal impresso, modernizado, não terá o mesmo futuro dos anzóis e guarda-chuvas.

Publicado originalmente no Jornal Correio de Uberlândia, em 19 de novembro de 2016.

 

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