Adicionado por em 2015-03-16

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por Tico Farpelli

Roberto Silvestre sempre foi um garoto incomum. Em vez de se interessar pelas coisas terrenas, os olhos dele se voltavam para o espaço. Mesmo sendo formado em Engenharia de Telecomunicações, ele encontrou a vocação como astrônomo amador. “Minha mãe dizia que, quando eu nasci, eu empurrei os médicos para o lado para ver o céu”, disse ele. Em casa, no bairro Cidade Jardim, na zona sul de Uberlândia, montou um observatório particular, inaugurado em 1996, de onde já mostrou os mistérios do universo para dezenas de crianças e adolescentes, estudantes de Uberlândia.

O engenheiro, personagem da quinta edição da seção “De bairro em bairro”, acredita que o conhecimento preso dentro do ser humano acaba apodrecendo, por isso, já deu mais de mil palestras para pessoas de todas as idades. “As pessoas me criticavam, falavam para eu cobrar pelas palestras, mas elas não entendem, não é por dinheiro, é diferente”, afirmou. O intuito é apresentar a Astronomia para as crianças como opção a ser seguida, porque, segundo ele, muitas nem sabem que esta área existe. “Você vê que a cidade muda na parte física, mas, o principal é o que você deixa no coração das pessoas.”
Devido a problemas pessoais, Roberto Silvestre não realiza mais os famosos encontros no observatório, mas ainda sonha que Uberlândia tenha um local semelhante para visitação pública, com o porte que merece. “Todo dia, eu recebo e-mail, mas não consigo atender. Vou anotando esses nomes, pensando num futuro em que tenhamos um observatório público”, afirmou ele.

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Roberto Silvestre no observatório que construiu em casa

Para se inspirar, Roberto Silvestre teve como ícone o professor Ronaldo Mourão, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), falecido em julho do ano passado. “Desde que eu era garoto, ele já divulgava Astronomia. Nunca o conheci pessoalmente, mas foi uma inspiração”, disse Silvestre.

O astrônomo amador acredita que a Astronomia seduz por simbolizar a esperança. De acordo com ele, no mundo atual, cheio de problemas, é importante se agarrar à chance de construir uma nova sociedade e, ao mesmo tempo, imaginar aventuras nos milhares de planetas e estrelas. “É impossível que, em um universo de bilhões de estrelas, não haja vida em outro lugar”, disse ele.

Um sonho que se tornou realidade

A construção do observatório na casa de Roberto Silvestre, no bairro Cidade Jardim, zona sul, foi a realização de um sonho que ele almejava há muito tempo. O processo durou alguns anos devido às possibilidades financeiras do astrônomo amador. “Eu não tinha dinheiro para fazer de imediato. Eu construí a casa, que terminou em 1994, continuei juntando dinheiro e, dois anos depois, em julho, estava pronto”, disse Silvestre.

A inauguração do espaço foi feita no dia 14 de julho de 1996. Silvestre disse que, naquele dia, reuniu as crianças da família e uma professora. “Na inauguração, mostrei o planeta Vênus de dia”, disse o astrônomo. A ação foi importante para mostrar que era possível observar o céu durante o dia. “Cinco planetas são visíveis a olho nu, por isso, receberam nomes de deuses”, disse ele se referindo a Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno.

O engenheiro disse que, com um pouco de curiosidade, é possível aprender Astronomia até mesmo sem telescópio. “Se você deitar olhando para o céu, você consegue observar os padrões, depois, você passa para um binóculo, aí, vai perceber que as 30 estrelas eram na verdade 300. Com o telescópio, já vai notar que as 300 são, na verdade, 3 bilhões e que vivemos em uma imensidão de estrelas”, afirmou.

Crescimento atrapalha observação

O professor Roberto Silvestre mora no Cidade Jardim há mais de 20 anos e disse que sente falta da tranquilidade que havia no bairro. “No começo, tinham tão poucas casas que algumas pessoas me falaram assim, ‘você vai fazer uma casa num bairro que não deu certo? Eu respondia, ‘é exatamente isso que quero’”, disse Silvestre. Agora aposentado, o tempo se divide entre cuidar dos pais idosos, estudar, observar o céu e cuidar dos animais e do jardim.

Entusiasta da natureza, mesmo que o interesse seja voltado para o alto, não tira os pés do chão e cuida com carinho do jardim, onde plantou vários tipos de árvore. “Eu planto para esperar crescer, retirar a semente e fazer mudas para doar”, afirmou Silvestre.

O crescimento do bairro teve mais aspectos negativos que positivos, segundo o astrônomo amador. “A iluminação da rua atrapalha o céu. Com o crescimento, fui perdendo a visibilidade das estrelas da direção sul, que são muito bonitas, aí, o observatório deixou de ser na periferia, foi incorporado pela cidade”, disse Silvestre. As luzes da cidade, segundo ele, atrapalham a observação das nebulosas e estrelas mais distantes.

Canal da Gente

Exibição semanal dos programas no Canal da Gente (canal 15 da TV a cabo Algar Telecom), às 8h30, às segundas-feiras e reprises de terça a sexta-feira e aos domingos.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 14 DE MARÇO DE 2015.

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Categoria:

Notícias

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