Adicionado por em 2015-06-29

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apenas-humanospor Celso Machado

Quem sabe nunca é o problema. Porque se sabe, sabe o quanto e o que sabe. Só comenta, critica, opina, argumenta e defende o que é da sua competência. Da sua expertise. E como sabe muito bem o que também não sabe, fica na sua. Como diz o ditado “não pula o corguinho” nem se mete a besta em palpitar sobre temas que não domina.

Tem mais: quem sabe, sempre quer saber mais. Ampliar seu raio de conhecimento, dominar outros assuntos. Porque sabe que todo conhecimento é sempre relativo. Parcial. Num mundo que muda tudo a todo instante, nenhum saber é permanente.

Estando sempre interessado em aprender, normalmente prefere investir seu tempo, principalmente quando está junto de outras pessoas mais qualificadas, em ouvir, escutar, abastecer seu cérebro de novas informações.

Quem não sabe e sabe que não sabe também não é o problema. Porque limita suas colocações ao básico do que conhece. Não expõe seu nível de desconhecimento publicamente. É sempre mais reservado e limitado nas suas colocações. Também fica na sua. Tratando mais em ouvir do que falar. Comedido.

Respeita e reverencia quem sabe. Muitas vezes aprende por osmose, pela convivência com outras pessoas mais qualificadas. Entre a discussão e a pergunta fica sempre com a última.

Então quem é o problema? O problema é quem acha que sabe. Acredita que sabe mas não sabe. Só que, como não sabe que não sabe, fica se “achando”. O pior é que, geralmente todo aquele que acha que sabe, mas só acha, acaba achando errado. É o tal do “ignorante convicto”.

Quer ver: quem tem e sabe o que tem, conhece e reconhece suas posses, seus bens, seus recursos, principalmente quando os tem porque foram oriundos dos seu próprio esforço e trabalho, não se aventura em gastar o que não tem. Não mete a mão na cumbuca com facilidade.

Já quem acha que tem, está sempre entrando em fria, porque acredita que tem mais do que tem. E pior, que vai continuar tendo. Quem acha que tem quase sempre acha que tem o que não tem. E aí vem o problema, é que gasta o que acha, não o que tem.

Como acha que tem, faz pose de quem tem, não do que na verdade tem. Tem mais pose do que posses.

Mais uma consequência perniciosa desse comportamento: quem acha que é mais do que é, acaba iludindo a si próprio, porque vive num conflito permanente entre o que é com o que imagina ser.

Vive em dois mundos, o real e o imaginário. Acredita que ilude os outros, mas consegue apenas, por algum tempo, enganar ele próprio. Por mais paradoxal que possa parecer, quem acha quase sempre vive perdido…

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 27 DE JUNHO DE 2015.

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Categoria:

Mineiridades

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