Adicionado por em 2015-07-20

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por Ariane Bocamino

Poeta, bailarino, barman, enfim, um apaixonado por diversos tipos de arte. Esse é Wesley Claudino, morador no bairro Roosevelt, zona norte de Uberlândia. Graduando no curso de dança da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Wesley é o criador e responsável pela “Dose Poética”, um projeto que visa dar mais notoriedade à literatura.

É bem provável que o leitor já tenha encontrado Wesley Galdino vendendo suas doses poéticas em alguns pontos públicos ou bares da cidade. São poesias registradas em papel, que depois de enrolados são colocados dentro de uma garrafinha que tem o selo com o nome do poema e um símbolo relacionado ao tema.

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Wesley Galdino tem a arte nas veias; ele é barman, bailarino, poeta e um ‘arauto’ da literatura (Foto: Celso Ribeiro)

À primeira vista, elas lembram aqueles filmes de pirata em que as garrafas eram usadas para o envio de mensagens através do mar, poesias em forma de dose que proporcionam uma nova forma de contato com a literatura. “Eu trabalhava de barman no Rio de Janeiro, trabalhei em bares com uísque e também fazendo caipirinha na praia, e eu tinha muitos clientes conhecia muita gente; até que um dia eu pensei: agora que já embriaguei o corpo vou embriagar a alma dos meus clientes, aí nasceu a Dose Poética”, afirmou o bailarino.

Depois de passar uma temporada no Rio de Janeiro, Wesley voltou para Uberlândia a fim de cursar Dança na UFU, e aqui continuou a desenvolver o trabalho com algumas adaptações. Os locais aqui escolhidos são pontos públicos da cidade como o Mercado Municipal, algumas praças ou bares. E lá vai Wesley com sua “mini adega”, cheia de emoções registradas nos papeis enrolados no interior das garrafinhas.

“Todas as poesias são de minha autoria e o que me inspira é a vida mesmo. As emoções vividas, a memória e eu procuro passar tudo isso para as poesias. E cada dose poética tem um desenho na garrafinha referente ao conteúdo do poema que varia muito de um para outro”, disse o poeta. As doses poéticas são boas opções de presente já que não são encontradas em outro lugar a não ser com o próprio autor, e são vendidas a R$ 8 cada.

Dose poética é uma forma de chamar atenção para a literatura

Nos encontros nos bares, nas praças e até mesmo em reuniões de trabalho, o celular está sempre presente, são e-mails, mensagens de texto, compartilhamento nas redes sociais. E é com esse desafio que Wesley Galdino lida com suas andanças para divulgar a “Dose Poética”: grupo de amigos presos em sua individualidade e que dividem a atenção entre a internet e as pessoas que estão próximas.

Partindo desse cenário, a abordagem, segundo Wesley, tem que ser cuidadosa: “Eu chego na mesa das pessoas com cautela, tento perceber o clima da mesa e assim apresento a Dose Poética. E eu procuro entender também que cada pessoa tem o seu tempo e nem sempre estão abertas a conhecer algo novo, pelo menos não naquele momento, então eu respeito muito isso também”, afirmou Gaudino.

As garrafinhas de Wesley já foram responsáveis por belos sorrisos nas noites uberlandenses, além de casais que se conheceram através das doses poéticas. O trabalho é artesanal e delicado e, com exceção da gráfica que imprime os poemas, o restante das tarefas são cumpridas inteiramente pelo próprio autor que aposta na arte como seu estilo de vida.

“Eu acredito que o artista tem aquela característica da persistência, sabe? Água mole em pedra dura tanto bate até que fura! (risos) E a gente não desiste, a gente ama né, e continua lutando em prol do que a gente acredita, da arte”, disse o criador da Dose Poética.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 17 DE JULHO DE 2015.

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