Adicionado por em 2016-12-12

 

camisetas-personalizadas_450_camisetas-personalizadas-uberlandia-lovePor Celso Machado,

Falar mal dos outros é fácil. Apontar seus defeitos também. Não são raras as vezes em que fazemos isso com exagero. Até sem isenção.

Agora reconhecer, apontar e mostrar os erros de quem gostamos não é apenas mais difícil. É complicado.

Nesta fase derradeira do nosso jornal, volto a tocar num assunto que certamente adiaria, caso ele não estivesse no fim.

É sobre nossa cidade. Sobre Uberlândia e o pouco sentimento de pertencimento de quem vive aqui.

Tem quem atribua isso ao fato dela ter mais moradores oriundos de outros lugares do que os nascidos aqui.

Discordo totalmente. Conheço e posso enumerar milhares de exemplos de quem não nasceu em Uberlândia, mas a amou e a serviu com maior paixão dos que têm aqui seus registros de nascimento.

Cito um que, inquestionavelmente, explicita isso muito bem, Virgilio Galassi.

Acredito que ninguém com um pingo de discernimento não o considere um dos responsáveis por fazer desta terra o que hoje ela representa no cenário nacional. Esse notável uberlandense nasceu em São Paulo, mas poucos fizeram tanto por Uberlândia quanto ele.

Não acredito que a migração seja o fator do baixo sentimento de pertença em relação a nossa cidade que, pelo menos eu, sinto.

Pode ser, isto sim, que tenha quem aprecie as oportunidades que ela oferece, mas se esquece de retribuir com iniciativas e atitudes cidadãs.

Como mencionei não é nada agradável criticar quem amamos. Mas é preciso. Porque o que muda uma situação são gestos, não torcida. A primeira medida para corrigir um erro é conhecê-lo. Reconhecê-lo, aceitá-lo e buscar soluções.

Quando menciono o pouco sentimento de quem vive aqui em relação a Uberlândia, cito diversos exemplos de causas coletivas que até causam indignação, mas não provocam atitudes efetivas.

Sei do incômodo que vou causar, mas acredito que seja contributivo tocar em certos assuntos.

Vamos ao caso do jornal Correio. Não tem ambiente em que eu vá que não seja abordado sobre o encerramento de suas atividades. Da imensurável lacuna que irá causar. Da incredulidade de uma cidade com quase 1 milhão de habitantes não ter um jornal diário impresso.

Em compensação, desconheço uma iniciativa sequer no sentido de lhe dar continuidade. Seja de entidades, empresas, profissionais do meio, políticos, cidadãos, etc.

O Uberlândia Clube é outro. Um tesouro arquitetônico fantástico há décadas semi-abandonado, mantido vivo pela teimosia de uma pessoa e contribuição financeira mensal de menos de 200 sócios.

O time do verdão também há vários anos está longe de representar a altura o nome da cidade que ostenta. Tem sempre quem aponte culpados, mas vive e sobrevive pela dedicação voluntária de uns poucos.

E o abandono em que se encontram prédios como o antigo Tucano Hotel, as instalações das Casas Uberlândia, edifícios iniciados pela Encol e outros que se transformaram em abrigos de viciados?

O desleixo com nossas ruas em que, de carro, você tem que dirigir desviando de verdadeiras crateras e nos passeios, das fezes de animais domésticos?

Que permite funcionamento de escolas, faculdades sem área de estacionamento para seus alunos e professores provocando tumulto no nosso já tumultuado transito?

De termos medo de andar a pé e receio de onde estacionamos nosso carro. Inclusive em frente a clubes recreativos.

Assistimos a tudo isso sem agirmos. Esperando e cobrando que outros, sejam políticos ou empresários o façam. Sem assumirmos que os responsáveis pelo que acontece na cidade são todos aqueles que vivem nela. Eu, você, todos nós.

Posso estar equivocado, mas penso que já passou da hora de todos que vivem em Uberlândia fazerem mais por ela. Com atitudes que possam retribuir um pouco para uma cidade que oferece tanto.

Cuidar dela com carinho, dedicação e amor. Porque quem ama não despreza, cuida.

Publicada originalmente no jornal Correio de Uberlândia, em 10 de dezembro de 2016.

 

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