Adicionado por em 2014-05-17

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futebol

Imagine uma final de Campeonato de Futebol. Não de uma competição qualquer, mas uma de grande significado e com público excepcional. O jogo muito disputado, repleto de emoções, está chegando ao fim.

Pouco antes de terminar a partida, pênalti a favor do time da casa. Milhares de torcedores vibram e ficam aguardando o desfecho.

A ansiedade toma conta. Quem vai ser escolhido para esse momento que, certamente, irá consagrar o batedor.
O time inteiro deseja essa oportunidade. E todos têm razão. O goleiro fizera defesas maravilhosas, os beques salvaram as jogadas adversárias. Os volantes, além de cobrir a zaga, municiaram com eficiência o ataque. Os meias criaram oportunidades para os chutes a gol e os atacantes, o lance que originou o pênalti.

O momento era tão aguardado que até o técnico teve vontade de bater o pênalti. Afinal, foi ele quem montou o time, definiu a tática e sofreu o desgaste junto a torcida nas partidas em que a equipe não saiu bem.
O preparador físico também, pois, graças ao seu trabalho, os jogadores correram muito e suportaram o desgaste da disputa.

Não só eles, o presidente, claro, que gostaria de ter o privilégio de definir o jogo e ser ovacionado pela plateia. Plateia essa que em diferentes ocasiões o criticou duramente.

Nessas ocasiões, até mesmo o juiz tem vontade de bater o pênalti. Pela coragem e acerto na sua decisão de marcá-lo.
Essa vontade não ficou restrita ao gramado, porque o torcedor queria ter tido esse privilégio. Afinal, esteve presente em todas as partidas, sofrendo nas derrotas, encorajando e empurrando o time em busca das vitórias.

Quem não gostaria de desempenhar o papel de definir o jogo para o time da casa num estádio lotado?

A questão é que pênalti durante o jogo só um bate. Apenas um terá o privilégio de marcar o gol da vitória ou sofrer o desgaste se der azar de errar.

Mas todo time e quem torce por ele têm motivos de sobra para comemorar.
Porque se apenas um pode bater o pênalti, todo mundo sabe que equipe nenhuma chega a uma final com apenas um jogador.

Time é um conjunto de pessoas dedicadas num trabalho coletivo, cada um exercendo um papel diferente para alcançar o objetivo comum do grupo.

Na hora do pênalti, o importante é usar como critério, nesse momento decisivo, não quem irá “aparecer mais”, mas aquele que naquele momento está mais bem preparado para fazê-lo. E todos terem a sabedoria não só de aceitar, mas de torcer para que ele seja feliz na conclusão.

Na vida corporativa, como numa final de campeonato, não falta quem queira ser o escolhido para ser o porta-voz de uma boa notícia. E quem não fica enciumado e ressentido por não ser o escolhido para essa ocasião?

Seja uma venda relevante, um prêmio conquistado, um novo cliente, uma solução inovadora e por aí afora. Boa notícia tem uma fila enorme de candidatos à porta-voz.

Quem sabe administrar o ego, não se preocupa com isso. Desempenha seu papel o melhor possível, mesmo que seja de coadjuvante, porque sabe a importância dele para o resultado final.

Numa rodovia, o motorista e os passageiros escolhem o local de parada pela limpeza dos banheiros. E só depois vão para a lanchonete. O garçon é quem ganha a gorjeta, mas o faxineiro é quem exerce um papel decisivo para o movimento do posto.

Quem salva um gol ou corta um lance de perigo, quem trabalha com dedicação nos bastidores também é fundamental para possibilitar vitórias expressivas.

Maturidade passa por isso, entender e aceitar que cada um tem seu papel e não é porque não foi escolhido para bater o pênalti que seu valor e sua contribuição são diminuídos.

Mais que isso, sabe muito bem que time nenhum vai pra frente se tiver no seu quadro quem torce contra.

Publicado originalmente no Jornal Correio, de 17 de maio de 2014

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Categoria:

Mineiridades

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