Adicionado por em 2016-04-13

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Por Celso Machado 10616761_PHz97

Um dia desses aconteceu um fato banal, mas que me levou a reflexões maiores. Eu estava entrando no carro carregando uma pasta e um notebook. O notebook escorregou da minha mão e caiu bem na ponta do meu pé causando uma dor e um desconforto razoável. Acontece que esse episódio da queda ter sido amortecida pelo pé evitou que o equipamento sofresse qualquer estrago. Conclusão: um mesmo fato, com duas consequências. Uma ruim e outra boa.

Na hora me veio a lembrança de tantas pessoas que conheço que diante de um quadro de estafa mudaram radicalmente seus hábitos. Ao invés de concentrarem toda suas preocupações com o trabalho passaram a dedicar igual cuidado e até mesmo maiores, com a saúde. Outra vez uma situação crítica de risco provocando atitudes positivas até então proteladas e relegadas. Uma circunstância delicada influindo numa iniciativa essencial.

Isto me leva a refletir que nem toda dor é ruim, nem toda derrota um desastre. Nos momentos mais difíceis de nossas vidas é que descobrimos o amor verdadeiro. Nas dificuldades que passamos, os amigos autênticos que temos. Nas privações, as forças, a fé, a energia e capacidade de superação que carregamos dentro de nós.

É até uma questão biológica: os mecanismos de defesa só se fortalecem quando expostos aos micróbios. Geralmente remédio amargo é que soluciona distúrbios de saúde. Melhor encarar a realidade: viver é conviver com paradoxos. Quantas vezes somos ajudados por quem age com objetivo de nos ferrar. E acabamos prejudicados por quem toma atitudes pensando em nos fazer bem.

Evidente que não faz sentido procurar dificuldades para ver se encontramos nelas coisas boas. Não é preciso usar um sapato com número menor e depois de um tempo de incomodo descalçá-lo para valorizar aquele do nosso número que é confortável. O que devemos, pelo menos é isso que penso, é sermos menos aborrecidos e “reclamões” em situações adversas. Não aprender com os erros, nem nos policiar nos acertos. Tirar proveitos até mesmo de situações singelas para aprender lições valiosas.

Lembro de um comentário de um cardiologista famoso sobre a falta de tempo das pessoas para adotarem hábitos de vida mais recomendáveis. Dizia ele que a única classe que conhecia que tem tempo pra tudo é a do infartado. Pois esses sempre encontram momentos para cuidar da saúde. Pois isso não é opção, é vital. Viver tem preço. Tem risco. Tem desafios, obstáculos e problemas. Querer viver sem passar por isso não é fácil. E provavelmente não é bom. Nem faz bem.

Ninguém sabe apreciar melhor o valor do descanso do que aquele que cansou muito. Viver sem enfrentar dificuldades pode fazer a pessoa deixar de viver. A vida não é tem uma ordem lógica, é um caos renovável. Por isso tão linda, tão boa, tão fascinante. Tão humana e emocionante.

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