Adicionado por em 2015-07-13

Want create site? Find Free WordPress Themes and plugins.

Praia-Clubepor Celso Machado

Eu o conheci menino. Minha família não era sócia, mas, graças à benevolência de pais de amigos como Lourival Franqueiro e Danilo Mendes Vieira, algumas vezes conseguia entrar no Praia Clube. Quando meu irmão Walter, adolescente, começou a trabalhar na CTBC, uma das primeiras destinações de seu salário foi comprar uma joia individual para ele e uma infantil para mim.

Que maravilha. Os sábados e domingos eram todos de encantadoras diversões nas suas dependências. Quando a mesada dava para um saboroso cachorro-quente de linguiça, magistralmente preparado pelo Bené, acompanhado de guaraná Praiano, Mineiro ou Big Boy, aí era tudo de bom.

Foi onde iniciei no mundo do futebol de salão, paixão que durou muito tempo e perdura até os dias atuais, apenas ajustada para a versão soçaite. Disputei campeonatos inesquecíveis e, na final de um deles, marquei um gol que estava muito acima do meu talento. Coisas do Praia.

Inúmeras vezes, fui de charrete, saindo da rodoviária antiga para jogar o racha do “esfria sol”. Isto, quando não conseguia carona na esquina da rua Tiradentes com a avenida João Pinheiro.

O padrão de rígido comportamento que sempre exigiu de seus associados ajudou muito na formação da minha personalidade. Seus animados bailes de Carnaval ampliaram meus relacionamentos sociais. A frequência constante para desfrutar das inúmeras atividades que oferecia me proporcionou amigos que até hoje tenho como uma das minhas mais valiosas riquezas.

Quando, pela iniciativa de Paulo Antonio Santa Cecília, tive a honra, orgulho e privilégio de ingressar na diretoria do Praia, quase explodi de alegria. Tinha apenas 25 anos e, certamente, fui um dos diretores mais jovens de um clube que sempre primou pela tradição. Comecei como diretor de esportes e depois fui para a diretoria social. Cargo que exerci em diferentes gestões, ao lado de presidentes fantásticos, como Índio de Carvalho Luz, Waltercides Borges de Sá, Márcio Chaves, Ragi Mansur, Oranides Borges do Nascimento e em diversos mandatos de Cícero Naves. Encerrei minha atuação sob o comando de outro praiano digno do maior respeito: Aldorando Dias de Souza.

Foi lá também que tive a ousadia de abordar uma moça linda que, há 30 anos, é minha esposa.
Hoje, raramente, frequento o Praia. A mudanças de hábitos me tornaram assíduo do clube Cajubá. Os tempos são outros e não só eu, como muitos da minha geração, consideram que o Cajubá de hoje é o Praia da nossa época de juventude.

Sempre que vou ao Praia não deixo de admirar a excelente gestão das suas diretorias. Reconheço que, dado o crescimento e a dimensão que alcançou, não tinha como, pelo menos para mim, ter se tornado um pouco impessoal. Mas isto não diminuiu em nada o respeito, afeto e carinho que tenho por ele. Pelo contrário.

O Praia, inegavelmente, é um dos clubes mais completos do Brasil. Possui uma estrutura de lazer invejável. Mas não considero este o seu maior diferencial. O que o torna único é a sua história, sua cultura, sua tradição e valores. Seus 80 anos de trajetória. Isso não tem preço, porque não dá para ser copiado.

Nunca esquecerei o que o Praia fez por mim. Nem eu, nem ninguém que teve e tem o privilégio de ser um praiano de verdade.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 11 DE JULHO DE 2015.

Did you find apk for android? You can find new Free Android Games and apps.

Categoria:

Mineiridades

Deixe um Comentário