Adicionado por em 2014-10-20

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por Celso Machado

Cada vez mais estamos vivendo a realidade de mostrar resultados. Em todos os setores. No futebol, o atacante que não marca gols durante várias partidas passa a ser vaiado pela torcida e, na maioria das vezes, vai para a reserva. Não interessa que ele ajude a combater a saída do time adversário, se desloque constantemente para abrir espaços para seus colegas. O que conta para efeito de desempenho é os gols que marca.

Nas empresas, o profissional é reconhecido pelo retorno que sua atividade gera, pelo destaque que consegue. Pela forma com que se apresenta e comporta. A avaliação do seu desempenho passa fundamentalmente pelos resultados numéricos que demonstra.

Como demonstrar números é mais claro do que mostrar contribuições intangíveis, normalmente, a valorização fica para quem oferece dados. E quem lida com o abstrato vai ficando para segundo plano. Quando não é substituído.

O artista igualmente é reconhecido pelo sucesso que alcança junto ao público, pelo espaço que ocupa na imprensa, pelos números que sua obra obtém, pela audiência que consegue. Nessa hora, a relevância e significado do conteúdo conta pouco. Basta olhar o noticiário policial, popularesco e religioso que invade a mídia que isto se torna evidente.

Tem ainda outro agravante: além de lhe abrir as portas da riqueza financeira, ultimamente ainda escancara as portas da vida política. Na vida pública acontece o mesmo. O político, presidente de entidade e por aí afora é reconhecido pelas obras que faz, pelos projetos que cria, pelas ações de visibilidade que implementa. Quem lida com política sabe muito bem que obra debaixo da terra não dá votos. Não é à toa que as cidades e até o país apresentam infraestrutura deficiente.

As administrações públicas são melhores avaliadas pelas obras e caridades que fazem, do que pelo trabalho visando o longo prazo, os ajustes nos gastos, seriedade e condução no trato com a coisa pública. O interessante é que em todas as rodas o discurso é outro. É o de valorizar e destacar o bem. De reconhecer talentos. De promover o ético. De agir sustentavelmente.

Na prática é que a coisa muda. Porque quando chega a realidade, os números é que prevalecem. Lógico que aferir resultados é importante, mas não deveria ser tudo. Porque muito dos melhores resultados acontecem não porque foram obtidos por quem os colhe, mas por quem ajudou a semeá-los no esforço do conjunto, no coletivo.

Outro risco é de atribuir a números um significado absoluto que premia o presente, mas pode comprometer e até matar o futuro. Olhar a fotografia, que no caso é o momento, não deveria ser mais importante do que observar o filme inteiro, que é o enredo.

 

Publicado originalmente no Jornal Correio de Uberlândia no dia 18 de outubro de 2014.

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Categoria:

Mineiridades

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