Adicionado por em 2016-04-04

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peri15Por Celso Machado

Sou daqueles que acredita que o humor, muitas vezes, nos leva a refletir mais do que outras formas de expressão. Porque, na sua ironia e sutileza, escancara situações de forma inteligente e provocativa.

É o caso desta pérola que escutei num show do genial Juca Chaves há mais de 40 anos. Dizia ele que um senhor de meia idade, bem apessoado, estava viajando de avião e coincidiu da sua poltrona ser ao lado de uma jovem de corpo escultural. E, claro, muito provocativa.

Conversa vai, conversa vem, o assunto foi ficando mais quente e o homem tomou coragem de fazer uma pergunta mais ousada. Olhou bem no rosto da bela moça e perguntou se ela aceitaria fazer sexo com ele por US$ 1 milhão. Ela sorriu, um pouco embaraçada e quis saber mais detalhes da proposta. O senhor continuou a conversa e para espanto dela, ele fez nova proposta reduzindo absurdamente o valor: “E, por R$ 100 reais, você faria?”. Indignada ela respondeu: “Você está pensando que sou uma prostituta?”
E, aí, vem a resposta dele com o toque de humor que coloca o assunto no devido lugar: “Pode pular essa parte. Isso já foi resolvido na primeira pergunta. Agora o que estamos discutindo é tão somente o valor que você cobra por um programa”.

Reconheço que sou ingênuo e, muitas vezes, tenho dificuldades de entender grandes questões como estas que estamos vivendo em relação ao desvio de dinheiro de empresas públicas. Para mim, o mais relevante não é a discussão se as denúncias têm conotação política. Se vai prejudicar o partido A ou B. Se a classe política é toda farinha do mesmo saco. Se o fulano está sendo perseguido. Se beltrano também não tem que ser investigado. E por aí afora.

O que importa, no meu entendimento, é reconhecermos se toda pessoa que rouba, seja ela quem for, deve ser punida ou não. Roubo é roubo. Tanto faz ser praticado por pobre, por alguém da classe média, rico ou celebridade. Por alguém que lutou muito, tem história ou por um tipo qualquer, anônimo e desconhecido. É uma usurpação do bem alheio. É uma agressão a toda pessoa honesta, que trabalha com seriedade, que luta pelo seu sustento, de forma correta. Sem prejudicar nem tirar de ninguém, aquilo que não é seu.

Tudo que estamos vivendo em nosso país, neste momento, deveria servir para provocar mudanças. Profundas, autênticas, verdadeiras. Uma depuração em processos e comportamentos.

Encarar a realidade de que o prefeito da maior capital do país tem um salário que não chega a R$ 30 mil e o técnico de futebol que está quase na lanterna do campeonato recebe R$ 600 mil por mês. E muita gente acha isso certo. Restabelecer a integridade, a honestidade, o sentimento de pertença comunitário.
Pena que a sensação que a gente sente é que a discussão está focada não na essência do problema, mas no valor do cachê. No preço a ser pago para quem quer exercer o poder.

Publicado originalmente no Jornal Correio de Uberlândia, em 2 de abril de 2016

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