Adicionado por em 2016-08-20

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nao-obrigadoPor Celso Machado

Ainda que haja limites, se tem algo que caracteriza nossas vidas é a capacidade de fazer concessões. Nas mais variadas situações, de diferentes formas.

Elas se tornam essenciais porque são decorrentes da própria razão de sermos coletivos. Fazemos parte de ambientes que impactamos com nossa presença e comportamentos. Da mesma forma somos influenciados por eles.

Isso é tão comum, tão constante, que muitas vezes nem percebemos que muitas das nossas atitudes decorrem mais dos hábitos das pessoas com quem convivemos, do que propriamente das razões e vontades próprias.

Determinadas fases da vida necessariamente nos levam a ser mais condescendentes e agirmos em consonância com costumes e práticas de onde estamos.

Isso fica bem evidente no período escolar e, com maior ênfase ainda, no campo profissional. De vestuário a roda de convívio. Do relacionamento com o patrão, os colegas, clientes, autoridades indo até o instigante desafio de se dar bem com o cunhado.

As roupas formais que somos obrigados a usar, gostemos ou não. Os eventos aos quais temos que comparecer, sejam agradáveis ou aborrecidos, não importa. Os convidados que temos que incluir em nossa lista quando promovemos um encontro, porque deixar algum de fora pode gerar interpretações e consequências complicadas. E por aí afora.

São as etapas em que a sociedade nos distingue pelo que temos, pelo que aparentamos com muito maior pontuação do que pelo nosso caráter, sentimentos e gestos pessoais.

Outra questão que nos impacta em relação as concessões que somos impelidos a fazer pode decorrer por situações que estamos sujeitos, especialmente perdas, sejam elas de que forma forem.

Só esclarecendo, para não ficar dúvidas nem avaliações distorcidas, que o significado do termo concessão ao qual estou me referindo é dentro dos limites éticos e morais. Não é abrir mão de princípios e valores.

A questão é que passamos tanto tempo induzidos pelo meio que, até mesmo sem notar, na maioria das vezes acabamos agindo sem avaliar as razões e justificativas de nossas escolhas.

Basta dar uma avaliada com um pouquinho de atenção e olha que estou sendo sincero quanto ao tamanho diminuto do pouquinho, no nosso guarda-roupa.

Duvido que a grande maioria de nós não ficará surpreso com a quantidade do que não usamos ou se usamos é com tanto intervalo que dá no mesmo.

Então por que temos?

Porque acostumamos a mostrar. Mostrar para os outros que temos e para nós mesmos que podemos ter. Pior ainda, que em decorrência de trabalharmos tanto, merecemos.

Fico me perguntando que raios de poder é esse, que leva o ser humano a ser escravo de padrões que não precisa seguir.

De criar armadilhas para ele mesmo. E ainda bota a família dentro delas.

Que luta desesperadamente para ter tanta coisa que não precisa e faz loucuras de todo tamanho para não perder o que nem usa.

Que faz as pessoas ficarem obcecadas em ter sempre mais não para repartir, para promover, mas para mostrar. Mostrar para quem não está nem aí para elas.

Não se trata de puritanismo nem de sentimento de abstinência, mas de lógica racional.

Creio que poder de verdade é agirmos em consonância com o que acreditamos, valorizamos, defendemos e lutamos.

É o poder de não precisar usar o poder.

Resistir e desviar das provocações, tentações.

Falar chega, não quero, basta. Não preciso. Já tenho o suficiente.

Até porque, muitas vezes, poder é não querer…

 

Publicado originalmente no Jornal Correio de Uberlândia, edição de 20 de agosto de 2016.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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