Adicionado por em 2016-05-07

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13173076_963849500397191_3186463981195818674_oPor Celso Machado

Como tudo na vida o conceito de morte também é relativo. Tem pessoas que respiram, seus órgãos funcionam regularmente, mas seguem suas jornadas sem qualquer inspiração, sem vontade, razão e motivação para viver. Seus corações batem exclusivamente por funções biológicas, não por sentimentos.

Evidente que a citação aqui não é sobre saúde física mas espiritual.

Sobre aqueles que ainda não receberam seu atestado de óbito, mas não emitem nenhum sinal de vida no sentido mais amplo de viver. Doentes terminais com bem estar físico, mas com a alma inerte.

Outras não chegaram a esse estágio mas pouco acrescentam nos ambientes que frequentam. Não criam nenhuma obra de valor, não se encantam, nem encantam nada. Não fazem diferença. Não são mais capazes de tocar as pessoas seja com gestos de solidariedade, de ternura, de apoio. Nem de serem tocadas. Simplesmente estão de passagem, esperando a hora da partida.

Triste ver gente assim vendo tanta gente fazendo tanto para viver. Nem que seja um pouco mais.

Gente acometida por doenças sérias, incuráveis, mas que não esmorecem, nem perdem o encanto. Tornam-se cada dia mais belas, fascinantes e encantadoras. Paradoxalmente mais cheias de vida. Exemplos e inspiração, guerreiras que não fogem ao bom combate.

Mas vamos voltar ao título e a pergunta que parece absurda: mãe morre?

Infelizmente sim. Morre como todos nós morremos um dia. Mas diferentemente das que estão mortas em vida, muitas continuam vivas mesmo depois de mortas. Presentes em nossas vidas e naquelas tantas que marcaram.

Mães especiais como uma que Deus presenteou a mim e meus irmãos que tinha conselhos fantásticos mesmo tendo concluído apenas o primário. Mas com louvor, como fazia questão de frisar.

Sempre disposta e disponível para se fazer presente em nossas vidas, seja em que momentos fossem.

Que tinha um sorriso lindo com um toque especial da falha nos dentes da frente. E que se tornava mais linda a medida que o tempo passou. Que fazia uma bacalhoada e um bife acebolado ao ponto, pratos que chefe de cozinha nenhum é capaz de repetir.

Que transitava nos mais diferentes ambientes, dos singelos aos sofisticados, com a mesma serenidade e discrição. Sempre de forma marcante por sua personalidade, energia, exemplo e vontade de viver.

Que fez sua primeira viagem de avião já perto dos 70 anos e tirou de letra.

Mãe carinhosa e enérgica simultaneamente, capaz de embalar com aconchego um neto e com a mesma suavidade, dar uma dura no pai ou na mãe quando preciso. Quando necessário.

Que estava sempre ao lado dos filhos, mas exigia que eles nunca saíssem do lado certo.

Que lutou bravamente com a doença que a acometeu, a superando várias vezes até não ter mais jeito.

Mãe como a minha, a sua e de tantos outros. Mães que partiram, mas continuam presentes, porque nos deixaram seu legado, seu exemplo, seus ensinamentos. Continuam vivas para a gente, porque ainda nos acompanham, protegem e inspiram.

Mães que nunca vão morrer.

Publicado originalmente no Jornal Correio, de 7 de maio de 2016

 

 

  1. Como entender filhos que torturam e matam suas mães em vida, com atitudes, comportamentos que acabam com suas vidas e as delas?

 

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