Adicionado por em 2015-10-05

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por Ariane Bocamino

Localizado na zona oeste da cidade, o bairro Santo Inácio está próximo aos bairros Planalto e Jardim das Palmeiras. Foi lá, na rua do Comerciário, que encontramos o Point das Pipas, uma loja singela que vende diversão. Pipa, papagaio, pandorga. Os nomes mudam de acordo com a região, mas, na loja do jovem Bruno Soares Martins, 22 anos, independente da nomenclatura, estes artigos preenchem a rotina de crianças e jovens e também de adultos do bairro.

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Bruno Martins vende pipas por valores entre R$ 1 e R$ 3,50 (Foto: Celso Ribeiro)

O preço varia entre R$ 1 e R$ 3,50, dependendo do material usado na confecção das pipas, como as sedas e o celofane, por exemplo. Os tamanhos e cores diferentes ocupam os dois cômodos do Point.
“Eu já vendia na garagem da minha casa e o pessoal curtia demais. Aí, minha mãe comentou que tinha um cômodo aqui para alugar e eu vim pra cá. Está dando muito certo, a molecada aqui do bairro se diverte demais com as pipas. E tem o campinho aqui do lado, então, daqui eles já saem pra brincar nem veem o tempo passar”, afirmou Bruno Martins.

O fluxo de clientes aumenta no fim de semana devido a folga de crianças e jovens da escola, e os pais também gostam de participar desta antiga diversão que ainda agrada.

“Chega gente aqui que você nem imaginava que ia querer uma pipa. Cara mais velho, mulheres e por aí vai”, disse. “Gosto muito de brincar também. Quando tenho um tempinho aqui, vou ali pro campinho com os meninos”, disse Bruno Martins.

Segundo ele e outro integrante de sua família, que é sócio no Point das Pipas, o local ajuda a levar a juventude do bairro para o caminho do bem, evitando o contato com escolhas indevidas que a rua oferece.

Comerciante planeja levar loja para outros bairros

No bairro Santo Inácio, o Point das Pipas é o único comércio que vende exclusivamente pipas. Em outros bairros, existem pontos semelhantes, mas, segundo Bruno Soares Martins, um dos proprietários do Point, a intenção é levá-lo para bairros que ainda não conheçam este tipo de trabalho.

“Em alguns bairros aqui perto, até existem lojas parecidas com a nossa. Mas há muitos outros lugares que podemos chegar ainda porque as pessoas não acreditam que este tipo de negócio pode dar certo, já que o valor de cada pipa é pequeno”, afirmou Bruno Martins. “Mas atendendo bem o cliente, a gente tem sempre ‘uma galera’ aqui na nossa porta”, disse.

Vendedor supera limitação motora

Bruno Soares Martins, um dos sócios do Point das Pipas, tem uma pequena limitação motora na mão esquerda, mas, nem por isso deixou a pipa, nem seus desejos pessoais. “Quando minha mãe estava grávida, ela sofreu uma queda dentro do ônibus e, segundo os médicos, isso prejudicou a minha formação. Na infância, foi difícil porque eu sentia muita vergonha, quase não saía de casa, colocava blusa de frio pra esconder (a limitação motora)”, disse. “Mas, com o tempo, fui acostumando, até que me colocaram o apelido de “Mãozinha” e eu fui assumindo. Ficou mais fácil. Hoje, estou muito tranquilo e, com fé e foco, posso fazer qualquer coisa que as outras pessoas fazem”, afirmou Bruno Martins.

Além da pipa, o jovem pratica tênis de mesa e atletismo com o apoio da Associação de Paraplégicos de Uberlândia (Aparu). “O esporte e o apoio da Aparu também me ajudaram demais no preparo físico. Me sinto muito mais ativo hoje”, afirmou o também atleta.

O treinador de Bruno e do grupo de atletismo da Aparu, Rogério Borges, disse que o contato com o esporte ultrapassa o desenvolvimento físico: “Para estes atletas, o esporte é fundamental também para autoestima, bem-estar. Eles se sentem úteis aqui conosco”, afirmou.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 3 DE OUTUBRO DE 2015.

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De Bairro em Bairro

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