Adicionado por em 2015-06-15

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por Ariane Bocamino

Nem sempre a vida noturna mais movimentada e com maior número de frequentadores está no Centro da cidade. A periferia também, assim como outros vários hábitos e rotinas, apresenta suas opções de socialização e o baile funk, mais conhecido como “fluxo”, é uma delas. Funk ostentação, funk melody, funk proibidão são várias ramificações que apresentam, com suas devidas proporções, parte da vivência e dos anseios dos moradores não somente das comunidades cariocas ou paulistas, mas de espaços aqui em Uberlândia, como o bairro Dom Almir na zona leste da cidade.

De-bairro-em-bairro

MCs do bairro Dom Almir; garotos mostram que a noite também tem vida na periferia (Foto: Roberto Carmargo/Divulgação)

A equipe do De bairro em Bairro conheceu alguns MCs, a maioria mora no bairro há muito tempo e ali criou seus laços de amizade e apego com o lugar. “Eu moro aqui desde que eu nasci, não penso em sair daqui não. Aqui todo mundo é humilde, te acolhe. É uma família mesmo”, afirmou Elvis de Freitas, mais conhecido como Mc Menor do Charme.

Os “fluxos” acontecem em casas de show do bairro, mas devido a questões burocráticas como autorizações e alvarás nem sempre estão disponíveis para a realização de eventos. Outra opção são os “fluxos” na rua mesmo. Um dos realizadores do documentário “É o fluxo”, que apresentou o estilo musical através de depoimentos em especial de Mcs, disse sobre o quão significativo é o baile funk no bairro. “Talvez nossa maior surpresa durante a produção do documentário tenha sido no dia em que fomos convidados pelos meninos pra conhecer o baile, ‘o fluxo’, como eles dizem. A gente chegou aqui na rua Solidariedade e tinham, é difícil falar um número exato, mas umas 6 mil pessoas espalhadas na rua, canteiros, dos dois lados. E aí que a gente percebeu que a vida noturna que acontecia na periferia poderia até ser maior e mais ativa do que a que acontece no Centro da cidade”, afirmou Roberto Camargos, um dos realizadores do “É o Fluxo”.

Códigos e expressões do funk ostentação

O funk possui diversas ramificações, funk melody, funk proibidão, funk ostentação. Esse último é o mais recorrente nas composições dos Mcs do bairro Dom Almir. Em geral, este estilo traz nomes de marcas, expressões que se remetem ao luxo e ao poderio financeiro. Contudo, o historiador João Augusto Neves, também realizador do documentário “É o Fluxo”, as letras do funk ostentação apresentam muito mais do que o ato de ostentar, como a maioria das pessoas pensa e pauta o preconceito, pois elas trazem códigos presentes não somente na realidade dos Mcs do Dom Almir, mas também os das comunidades cariocas, paulistanas etc.

“Analisando essas letras, nas métricas que os meninos usam na composição do funk ostentação, a gente encontra códigos e expressões que fazem parte da realidade deles aqui na periferia e que se assemelham muito com os códigos presentes nas letras dos meninos da Baixada Santista, da zona leste de São Paulo, por exemplo. Então essas expressões trazem referência de como é a rotina desses meninos, dos anseios deles, dos sonhos e a relação do olhar deles com a sociedade de consumo”, disse João Augusto.

Realizando um sonho da dupla Mc Menor do Charme e Mc Maikeira

Durante a reportagem especial do funk no bairro Dom Almir, uma dupla de MCs chamou a atenção da nossa equipe. Primeiramente porque eles se apresentam juntos, o que não é muito comum no funk, uma dupla de funkeiros, a gente desconhecia. E inicialmente, eles não estavam pautados para a entrevista, estávamos arrumando os equipamentos para finalizar as gravações quando o Mc Menor do Charme nos pediu um espaço para falar e cantar com o seu parceiro.

Gostamos da atitude dele e fizemos a entrevista com ambos e assim, conhecemos dois jovens sonhadores, talentosos e que pediam “olhares” não só para eles, mas para o próprio bairro. “A única coisa que falta aqui pro nosso bairro são uns “olheiro”, sabe? Pra ver e investir na nossa música”, disse o Mc Menor do Charme.

Diante dessa situação, a equipe do De bairro em bairro em parceria com a Voz da América organizou uma surpresa para a dupla que foi surpreendida com um dia de gravação em um estúdio profissional. A reação dos Mcs foi bela, pura. As lágrimas nos olhos sinalizavam um passo que eles acreditavam que demoraria mais para chegar. “Me belisca pra eu acreditar. (risos) A gente nunca passou perto de um estúdio como esse e achávamos que demoraria muito mais. Mas desistir eu não ia, a gente tem pé no chão”, disse Maikon Douglas, o Mc Maikeira.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 13 DE JUNHO DE 2015.

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