Adicionado por em 2016-11-08

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melhor-idadePor Celso Machado

Nada a ver com essa história de “melhor idade”, “terceira idade” ou outras denominações que considero a maior babaquice para identificar essa etapa mais madura da vida. Prefiro usar uma palavra que não existe para definir o estágio de quem vai ficando menos novo.

Mesmo não usando fila nem vaga de idoso, aliás nem tenho o tal cartão, sou obrigado a reconhecer que adotei determinadas práticas, atitudes e comportamentos inerentes.

Não aguento mais barulho. Me irrita profundamente som alto, gritaria, balburdia e outras manifestações ruidosas. Pelo contrário, adoro escutar e me delicio com ele, o som do silêncio. Que acalma a alma e inspira reflexões, pensamentos, ideias.

Não é que não goste de música. Gosto sim e muito. Mas daquelas que tem um ritmo gostoso, letras poéticas e inteligentes.

Costumo sentar no mesmo lugar quando vou a bares ou restaurantes. Ser bem tratado e sentir que do outro lado tem alguém com interesse e vontade sincera de me servir.

Por isso ando também ficando meio exclusivista. Não no sentido de querer o melhor para mim, mas de estar em lugares onde sou conhecido e reconhecido. Que as pessoas me tratam como gente. Que permitam conversas alegres e bem humoradas.

Com certeza por isso não me atrai tanto excursões dessas que operadoras de turismo oferecem em que tirando data e local, nada mais você pode escolher. Prefiro programas com amigos, pois temos muito mais liberdade de escolha e o melhor, o convívio com eles já faz da viagem uma oportunidade prazerosa.

Diminuí muito minha pressa. Prefiro sair cedo para chegar no horário do que sair como louco, em alta velocidade, para não atrasar. Descobri que é melhor perder alguns minutos do que outras coisas muito mais valiosas. Devagar me acalma e me permite algo que adoro, divagar.

Adoro estar com amigos e fazer novos amigos. Ouvir e contar histórias. Nem sempre a ordem é essa. Não interessa, considero que o importante é receber e dar atenção. Dedicar interesse real nos bate- papos, deixando claro para quem está falando conosco como estamos concentrados naquele assunto.

Procuro tratar as pessoas igualmente, seja quem forem. Tomo cerveja com meu caseiro do mesmo modo com que bebo com meu chefe. A diferença entre eles, prá mim, é que ambos trabalham mais do que eu.

Fujo de discussões inúteis, de tentar mostrar que estou certo. De que domino este ou outro tema. Procuro ser conciliador e não incendiário. Mas tenho ficado mais sincero. Mesmo sem ofender, dizer não. Não quero, não vou, não gosto.

Venho valorizando bem mais o meu tempo. Sendo mais seletivo no que faço, como, bebo, convivo, assisto. Viajando mais, conhecendo novos lugares e pessoas, mas apreciando igualmente voltar pra casa.
Deitando cedo e acordando mais cedo ainda.

Por vezes ando meio esquecido, principalmente de guardar mágoas, ressentimentos e todo tipo de aborrecimento. E sinto saudade, especialmente dos familiares e amigos que se foram. Sinto até das dificuldades que passei.

Por isso e por tantas “cositas”mais, reconheço que enveiei.

Mas atenção, isto não significa que diminui minha vontade e prazeres de viver. Todos eles.

Pelo contrário na fase atual tenho apreciado devidamente o que faço e como faço.

Pratico atividade física diariamente e jogo meus rachas de futebol as quartas e domingos. Tudo bem que hoje falo mais do que jogo. Mas a alegria de compartilhar dessa atividade com amigos queridos é algo que valorizo demais.

Tenho meus projetos profissionais e comunitários e a eles me dedico como posso. Falo que vou diminuí-los e, sempre aumentam. Só que nesta etapa tenho o privilégio de, eu mesmo, definir minha agenda.

Gosto do que tenho, do que faço e não sinto inveja de ninguém. Amo minha esposa, meus filhos e tantas pessoas maravilhosas com quem convivo. Sou grato a elas por me tolerarem e protegerem.

Agradeço todos os dias a vida que Deus me dá. E, mesmo com saldo negativo exorbitante, tento fazer algo para que a minha jornada possa ser útil e reduzir um pouco esse débito.

Enveiei sim. Mas continuo “vivinho”!

Publicada originalmente no jornal Correio de Uberlândia, de 24 de outubro de 2016

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