Adicionado por em 2016-02-01

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Por Celso Machado

politicaO título já é controverso e o comentário inicial mais ainda.

Uma das observações com as quais nunca concordei é a de que quando está ruim para todos, está justo. Quem defende isso parte do raciocínio que, como ninguém está ganhando, todos ficam empatados. Nesse conceito paradoxal, está certo quando ninguém ganha e todos perdem. Essa introdução controversa é para esclarecer que vou tratar de um assunto que não é da minha praia, que é a política. E ainda por cima, tem a grande chance de desagradar os dois lados da esfera pública municipal, a situação e a oposição.

De qualquer forma, correrei esse risco, tomando o cuidado de mencionar que se trata de uma tentativa honesta, legítima. E reforçar que a opinião que irei emitir não tem posicionamento partidário. Ninguém discorda que entre tantas crises que estamos vivendo no Brasil uma das principais é a política. Com desgastes de todos os lados. Isso certamente vai impactar as próximas eleições municipais. Eleitores estão descrentes. Desiludidos, decepcionados. Cansados.

Soma-se a isso outros fatores críticos, como novas restrições das campanhas políticas, sendo um deles o desaparecimento das contribuições financeiras de empresas. A realidade é que existe uma expectativa, um clamor geral por mudanças na política. Por mudanças não, por melhorias, para ficar mais claro. Só que aí surge uma outra dificuldade, a falta de líderes inspiradores reconhecidamente capazes e dispostos a participar e elevar o nível do jogo político. Para estabelecer novas e saudáveis regras. Para subir o nível da disputa.

Não falta quem reclame, está faltando quem assuma a tentativa de mudar. Em qualquer disputa, o nível dos jogadores é que determina o padrão da partida. A exigência é sempre proporcional à qualidade e ao nível de desempenho dos participantes. Quem perde, se atuou bem, influenciou o modo de agir do vencedor. O obrigou a rever seu jogo, se preparar melhor, assumir compromissos. Mudar postura, tática e atuação. Mesmo leigo, penso que um candidato bom, mesmo que não saia vitorioso, só com sua entrada na vida pública da cidade já daria um forte impulso para melhorá-la.

Complicado querer mudar ficando de fora.

Pesquisas mostram que uma quantidade expressiva de eleitores nas próximas eleições estão dispostos a mudar, ter outro comportamento. Mais conscientes, envolvidos, dispostos a não barganhar seus votos pelas promessas fantasiosas elaboradas por marqueteiros mercenários apresentadas por candidatos marionetes. São eleitores que querem mudanças, que estão dispostos a eleger o novo, mesmo desconhecido. Novos líderes com novas mentalidades, novos propósitos, novas posturas e comportamentos.

Se olharmos a história de Uberlândia, as entidades e instituições sempre tiveram papel fundamental no seu desenvolvimento. Inclusive na vida política, pois foram nelas que surgiram nossas maiores lideranças. Posso estar equivocado e, se estiver, peço desculpas antecipadamente, mas, pelo que me lembro, a última vez que surgiu uma candidatura nova ao cargo de prefeito, de alguém sem carreira política, foi na disputa de 1992. Portanto, há 24 anos. Naquela disputa, não tivemos um candidato novo, mas dois, Ferolla e Bádue. Dois ex-secretários municipais, que nunca haviam disputado uma eleição. Ferolla foi o vencedor e fez boa gestão.

Nada contra o legítimo direito de representantes das mais diversas áreas da cidade de buscarem seu espaço, nem dos políticos de construírem e manterem suas carreiras. Também nada a ver quanto ao discurso demagógico de ricos e pobres, classes dominantes, minorias e por aí afora. A intenção é fazer aqui uma simples provocação: por que será que não surgem mais nomes novos na vida política de nossa cidade a partir de suas mais representativas entidades?

Publicado no jornal Correio de 30 de janeiro de 2016

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