Adicionado por em 2016-12-05

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7717723_origPor Celso Machado,

 

O aviso prévio foi dado e a quantidade de encontros está próxima do fim. Pelo menos da forma com que há mais de 780 semanas acostumei. E quem me tolera literalmente também.

Lembro de como dizia Giovanni Improtta, personagem criado pelo autor de novelas Aguinaldo Silva, magistralmente interpretado por José Wilker, “o tempo urge e a Sapucaí é grande”.

Por isso vou aproveitando as oportunidades que restam para tocar em assuntos que talvez deixasse para outras ocasiões.

Tive uma carreira como executivo muito além do que imaginava e certamente acima da fazia jus. Questão de sorte, habilidade ou sei lá. O que conta é que ocupei cargos tido como importantes. Dirigi empresas, estive até na diretoria de um grande grupo. Vivi experiências, oportunidades e convívios maravilhosos. Fui muito bem remunerado, é justo que mencione.

Podia ter tirado mais proveito da riqueza de conhecimentos a que tive acesso, mas a alma poética, a tagarelice mental, a dispersão no foco, a falta de persistência e outros quesitos pessoais, incluindo uma certa dose de teimosia e outra de convicção pessoal contribuíram para que meu acervo de “desaprendizado” fosse mais expressivo do que o de aprendizado.

Só pra citar alguns: não dei conta dei aprender a relevância de uma carreira profissional bem planejada, porque não quis sacrificar o convívio familiar.

Deixei de adotar a prática velada, mas recomendável, de substituir o círculo de relacionamento. Trocar os amigos frequentes de encontros, de conversas, de outros tempos, por novos que seriam mais importantes para me fazer reconhecido e valorizado no ambiente de trabalho.

Outro erro. Não consegui colocar um plano de desenvolvimento de carreira em primeiro plano. Insisti e persisti em priorizar outro, o de vida.

Com isso não me dei bem com aqueles que têm como finalidade exclusiva ganhar dinheiro. Sem se importar como e que utilidade maior fazer dele.

Na lista do que deixei de aprender preciso mencionar outro equívoco que o ambiente corporativo, como o político não aceita bem. Separei o cargo da pessoa. Por maiores que fossem as tentações e quem sabe tenha até fraquejado em pouquíssimas vezes, sempre fui eu mesmo e não o cargo que momentaneamente ocupava.

Tive e não consegui mudar minha mania de achar que todo relacionamento profissional é sempre pessoal. Coisa de poeta. Acredito até hoje que empresas não se relacionam. Quem se relaciona são pessoas que agem em nome das empresas. Que todo encontro de CGC tem sempre CPF o tempo inteiro.

Fiz amigos mais do que colegas. E procurei manter contato com eles mesmo quando mudaram de empresa, função ou cidade.

Outra atitude delicada no quesito da desaprendisagem foi procurar diferenciar leal de fiel. Opinião de oposição. De valorizar iniciativas mais do que autorias. De não engolir crítica sem sugestão. De não “puxar saco”, ainda que tenha como característica elogiar pessoas nas suas presenças. E, o que não é tão comum assim, diferenciar empatia de respeito. De reconhecer méritos em quem não morro de amores, mas que fazem bom trabalho. Nessas horas costumo dizer que o fato de gostar ou não de uma pessoa, nada tem a ver com a avaliação do seu desempenho. Se não gosto, não convido para jantar, nem para tomar cerveja. Mas reconheço e reverencio. Não foram poucas as vezes em que estendi o tapete para quem, mais tarde, acabava puxando o meu.

Outra coisa que não aprendi, por mais que tenha sido estimulado e alertado, é ter agressividade positiva. Até hoje penso que isso não passa de ser “sacana com suavidade”.

São tantos desaprendizados que não dá para enumerar todos. Mas o pior mesmo é que até hoje muitas vezes penso que desaprender pode ser uma forma de aprendizado…

Publicado originalmente no jornal Correio de Uberlândia, em 3 de dezembro de 2016.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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