Adicionado por em 2016-01-21

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cronica celsoPor Celso Machado

Quando pedem para explicar o que entendo como uma boa comunicação, costumo dizer que é uma tentativa, às vezes quase desesperada, de estabelecer um diálogo. Ou seja, fazer com o que o outro, ou os outros consigam entender o que tentamos transmitir captando a essência do que desejamos passar. Diferente de informação que é simplesmente dar uma notícia, relatar um fato, compartilhar ou tornar público algo que se deseja tornar conhecido.

Evidente que uma informação bem dada, comunica. Mas considero que informar não é tão crítico quanto comunicar. Quantas vezes materiais, produções muito bem feitas, não conseguem o objetivo de comunicar. Porque falta o que é fundamental, o entendimento e aceitação do público a que se destina. Há também, o que é muito comum, o risco danado de se tentar transmitir uma coisa e a pessoa entender outra. Penso que a maioria das discussões e divergências acontecem por isso. Principalmente entre casais. Os desentendimentos são muito mais frequentes pela interpretação do que pelo fato em si. Quantas separações não aconteceram porque uma das partes não teve a capacidade de comunicar adequadamente ou a outra não teve paciência e atenção em procurar entender?

Como estamos vivendo em um mundo em que cada vez tudo é mais rápido, prático, pontual e egoísta falta paciência para comunicar. A maioria no máximo, informa. Considera que cumpriram seu papel quando transmitiram aquilo que lhes coube. A audiência que se dane. O paradoxo é que vivemos sufocados pela quantidade e diversidade de informação, mas pouco sabendo sobre as verdades de tudo que nos envolve e cerca. Sempre expostos ao risco da manipulação, que é o jeito deturpado de mostrar fatos, acontecimentos não com isenção, mas deliberadamente tendenciosos.

Quem prestar atenção nos noticiários, nas entrevistas, nos depoimentos e comentários, se não tiver um pouco de discernimento e de capacidade de avaliação, não só será influenciado como vai se tornar propagador daquilo que lhe transmitiram, não necessariamente do que aconteceu. Hoje a mídia não está restrita apenas a imprensa escrita, falada, televisionada. Tudo comunica tudo. Os meios digitais têm um poder cada vez maior e deram a audiência a possibilidade democrática de opinar, posicionar, contestar. De construir e destruir reputação.

Vale lembrar também que hoje tudo que fazemos, onde estamos, com quem vamos, está registrado. Diante de tudo isso, o desafio de comunicar e cuidar da imagem assume proporções excepcionais. Porque o Big Brother, não é mais um programa de televisão, é o nosso dia-a-dia.

Publicada originalmente no Jornal Correio, em 16 de janeiro de 2016

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