Adicionado por em 2015-05-25

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por Ariane Bocamino

Considerado um bairro de periferia e com poucas opções de lazer e cultura, o Aclimação, próximo ao aeroporto de Uberlândia, na zona leste, tem um lugar especial, marcado pela fraternidade. Trata-se da Casa Santa Gemma Galgani, que fica na rua José Flores, 351. A Casa acolhe moradores de rua que, ali, passam a ter condições básicas para viver com dignidade. Além das refeições, local para dormir e tomar banho, a casa oferece afeto.

A instituição, que conta com 18 moradores atualmente, nasceu da iniciativa de Silvio Expedito Cardoso, mais conhecido como Ditão, um franciscano nato. Não por participar oficialmente da ordem Franciscana, mas por sua escolha de vida, de amor ao próximo e um olhar cuidadoso para os pobres. Antes da casa ser criada, oficialmente, Ditão acolhia os moradores em sua própria casa.

Casa-Santa-Gemma-interna

“Meus filhos foram criados com os moradores de rua e isso nunca trouxe nenhuma situação ruim. Pelo contrário, eu e minha família aprendemos muito”, afirmou Ditão, um dos fundadores da Casa. “E eu fui acolhendo, um, dois, quando vi não cabia mais na minha casa. Aí, a gente viu que precisava de um lugar mesmo, até para caber mais gente”, disse.

O outro fundador da Casa é o músico Jack Albernaz, que, em parceria com Ditão, abraçou também a causa. “Conheci o Ditão na igreja do bairro, quando ele estava chamando o pessoal para ajudar a levar sopa para os moradores de rua”, afirmou Albernaz. “Conhecemos vários moradores naquela noite, mas um, em especial, que estava em condições muito ruins, mau cheiro, com fome, sem nenhum amparo, me chamou atenção. Fui tocado pela pobreza daquele homem e, a partir daí, decidi que me dedicaria a essa causa de ajudar os irmãos. E, assim, criamos a Santa Gemma em 2002”, disse o saxofonista.

A Casa Santa Gemma não tem subvenção da Prefeitura e se mantém com doações e trabalho voluntário. A sede é própria e foi construída com a dedicação e ajuda da comunidade. Segundo os voluntários da Casa, para oferecer uma palavra de conforto e um abraço amigo ou fazer doações de mantimentos ou recursos financeiros, os interessados podem ligar nos telefones da instituição, 3227-6748 e 9971-7810, ou 9991-3835, do fundador Ditão.

Animal inspira fundador a criar o espaço de apoio

Uma curiosidade aproxima à filosofia franciscana o trabalho desenvolvido por Silvio Expedito Cardoso, mais conhecido como Ditão, na Casa Santa Gemma, em Uberlândia. Além dos votos de pobreza e misericórdia com os pobres, São Francisco também é conhecido pela sua proteção aos animais. E, segundo Ditão, uma de suas primeiras inspirações para cuidar dos moradores de rua foi um porco.

“Eu estava ajudando no Encontro de Casais da comunidade São João Batista e, durante as comemorações, a cozinheira me pediu para buscar limão. Lembrei que, em uma chácara aqui perto, tinham limão verdinho e eu fui lá”, disse Ditão. “Chegando, vi um porco sem água e comida. Fiquei chateado com aquilo, voltei para comunidade e perguntei para cozinheira: tem alguma coisa, aí, para eu fazer uma lavagem e levar para um porco? Aí, ela respondeu: mas cadê o limão? Respondi: não tem limão não, passa essa sopa para cá que eu vou levar para o porco”, afirmou, dando risada.

Na sequência, ainda de acordo com Ditão, ele voltou à chácara e deu a sopa para o porco comer. “Após uns dias, a mesma cozinheira falou comigo, brincando, se eu estava precisando de lavagem, pois tinha sobrado muita coisa. Aí, pensei bem e falei: que lavagem que nada, vou pegar essa sopa bem quentinha e levar para as pessoas nas ruas. A partir daí, começou o apoio aos moradores de rua”, disse Ditão.

Italiana dá nome à instituição

Gemma Maria Humberta Pia Galgani dá nome à casa que acolhe moradores de rua no bairro Aclimação, na zona leste de Uberlândia. Ela nasceu na Itália, no ano de 1878, próximo da região da Toscana, no vilarejo de Borgo Nuovo. Um de seus maiores desejos era entrar para o convento e concretizar sua missão sacerdotal. No entanto, devido a um problema de saúde, isso não foi possível. Mas, apesar de não ter sido freira oficialmente, a italiana Gemma Galgani seguiu a sua vida de forma regrada, pensando e trabalhando pelo próximo até a sua morte, em 1903.

Segundo o músico Jack Albernaz, um dos fundadores da casa, a relação da história da santa com a casa é baseada no ideal de ambos. “Santa Gemma, assim como nós, era leiga, não foi freira, não frequentou o convento, mas optou por viver fazendo o bem”, afirmou. “Ela era uma pessoa normal, mas que vivia em Cristo. E o ideal de Santa Gemma Galgani é um pouco do que vivemos aqui também. Não somos sacerdotes, mas temos este estilo de vida, por isso, escolhemos o nome da Santa para a nossa casa de acolhimento”, disse.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 23 DE MAIO DE 2015.

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Notícias

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