Adicionado por em 2015-05-18

por Ariane Bocamino

Umuarama, zona leste de Uberlândia. Tradicionalmente conhecido como um bairro universitário de jovens que se mudam para a cidade em busca de aprendizagem. A presença da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) movimenta o setor imobiliário, o comércio, a vizinhança da região. Foi neste cenário de proximidade com o campus Umuarama da UFU que entramos em um local de paz e calmaria, a Casa de Hospedagem Betesda, cujo o nome, de origem bíblica, significa misericórdia.

A instituição, que é ligada à Igreja Presbiteriana de Uberlândia, recebe, diariamente, mulheres e crianças com idade até 12 anos que estão em tratamento no Hospital de Clínicas da UFU (HC-UFU) ou acompanhando-os. O perfil mais comum dos hóspedes é de mulheres que, por não encontrarem o tratamento necessário em suas cidades, vêm para Uberlândia e, por aqui, ficam durante este período.

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O atual presidente da Casa Betesda, Atualpa Paiva, disse que é muito gratificante poder ajudar estas mulheres (Foto: Marcos Ribeiro)

O objetivo da Casa Betesda é oferecer para estas mulheres dormitórios confortáveis, refeições diárias, banhos, local para lavar roupas, entre outros serviços que não são oferecidos no hospital, mas que fazem falta, principalmente, para os pacientes e acompanhantes que estão fora casa. Tudo é oferecido gratuitamente, além das atividades lúdicas, psicológicas e da brinquedoteca para as crianças.

O atual presidente da Casa Betesda, Atualpa Paiva, disse que é muito gratificante poder ajudar estas mulheres. “Sabemos que, aqui no Brasil, o setor da saúde é frágil, então, oferecer esse cuidado e, de alguma forma, melhorar a situação delas nos deixa felizes”, disse.

A coordenadora da Casa Betesda, Flávia Ribeiro, também mencionou a importância da casa. Ela afirmou que a rotina das pacientes seria mais difícil sem a hospedagem. “Em especial, as pacientes da oncologia. Elas têm que estar internadas no hospital bem cedo nos dias da quimioterapia, então, até saírem de suas cidades, muitas vezes em horários e meios de transporte desconfortáveis, seria mais complicado”, disse a assistente social.

A Casa possui 58 leitos e atende, diariamente, entre 40 e 50 pessoas. Para as pacientes da oncologia, é oferecido um espaço diferente, respeitando as necessidades específicas, dependendo do caso.

Luiza Peres aponta importância do apoio

Luiza Peres passou por um câncer raro na década de 1990, chamado mola hidatiforme ou mais conhecida como doença trofoblastica gestacional. Na época, não tinham instituições como a Casa Betesda, que recebe mulheres e crianças com idade até 12 anos que estão em tratamento no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) ou acompanhando-os.

“Se existisse a Casa Betesda, eu seria uma hóspede semanal, porque morava muito longe da Medicina e internava muito cedo. Então, esse ambiente acolhedor teria facilitado muito para mim, física e emocionalmente”, afirmou a coordenadora de infraestrutura em Tecnologia da Informação (TI).

O câncer, superado por ela, é considerado raro devido à proporção ser de uma a cada 10 mil mulheres que desenvolve este tipo de tumor. “Adorei ter conhecido a Casa Betesda e, assim como colaborei na formação do Grupo Luta pela Vida (ONG que administra o Hospital do Câncer e oferece apoio a pacientes que fazem tratamento de câncer e seus familiares), em meados da década de 1990, a partir de hoje, estou me comprometendo a ser uma colaboradora da Casa”, disse Luiza Peres.

A importância da Casa Betesda também é mencionada pelo oncologista do Hospital do Câncer Rogério Araújo. “O que a maioria das pessoas fala é que, com a notícia do diagnóstico, ‘falta chão’, e este tipo de iniciativa ameniza este choque, essa sensação de perda que o paciente afirma sentir”, afirmou.
A Casa possui subvenção mensal da Prefeitura de Uberlândia, que, segundo o presidente da Betesda, Atualpa Paiva, cobre 30% dos gastos. “Por isso, as doações são sempre bem-vindas, além de contarmos com o bazar fixo na própria instituição para arrecadação de recursos”.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 16 DE MAIO DE 2015.

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