Adicionado por em 2015-11-09

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cds-in-murfie-boxpor Celso Machado

Dia desses, atendendo pedido da minha esposa, fui intimado a dar uma faxina em algumas gavetas do escritório que temos em casa. Iniciada a empreitada, me deparei com algumas constatações óbvias: impressionante como as pessoas como eu, que vivemos a geração antes da digital, têm mania de guardar informações impressas. A maioria sem a menor utilidade e significado.

Contas pagas, extratos bancários, holerites, manuais de instrução de equipamentos totalmente fora de uso e por aí afora. Chego ao ponto de ter em casa listas telefônicas de 20, 15 anos atrás. E apostilas com anotações da época da faculdade. Além de postais e revistas com roteiros de viagens totalmente superados. Para não falar das edições antigas da revista “Placar” da época em que fazia sentido a paixão do brasileiro por futebol.

Imagino duas razões para isso. A primeira é que, por não sabermos o que fazer com elas, optamos por guardá-las. A segunda, que me parece mais consistente, é que as conservamos como uma forma de lembrar do que nos recordam. Ao invés de ocuparmos parte da nossa memória com recordações, lotamos fisicamente estantes e armários com elas. Daí porque toda vez que nos dispomos a uma faxina, acaba sendo um exercício de reflexão. De quanto às vezes ainda somos arraigados ao que não tem utilidade alguma.

Acontece que nem tudo é ultrapassado e inútil. No meio dessa “coiseirada”, também encontramos alguns tesouros, que nem mesmo lembrávamos que tínhamos. Foi o caso de uns CDs de música que reencontrei. Não tive coragem de lhes dar o mesmo fim que estava dando a tudo que ia encontrando: arquivar no cesto de lixo. Separei aqueles que me agradavam, atendendo à versatilidade do meu gosto musical bastante eclético, que vai de Julio Iglesias, Ray Connif, Luiz Miguel, Trio Irakitan, Elymar Santos, Guilherme Arantes, Ivan Lins, Emilio Santiago, Quarteto em Cy, MPB 4, Luiz Ayrão, Paulo Diniz, ABBA, Ray Charles, Tim Maia, Stevie Wonder, Cristhyan & Ralf e por aí afora.

No sábado de manhã, quando passeava a caminho dos programas de lazer do final de semana, os fui colocando aleatoriamente no som do carro. Como foi gostoso relembrar melodias maravilhosas que não se escuta nas programações das rádios atuais, tão impregnadas de sertanejo universitário, funk, axé e outros ritmos frenéticos demais para o meu estilo.

Lembrei também da rádio “Viva”, que era a única que nos proporcionava isso e que teve sua trajetória encerrada. Só tocava música, não tinha notícia, nem comercial, nem pregação religiosa. Incomodava por uma razão, era ouvida por muita gente. Muita gente que hoje, se quiser escutar as músicas que tocava, tem que recorrer à frieza e repetição dos arquivos em pen drive.

Evidente que música é como comportamento: cada geração tem seu estilo. Mas quando ouço comentários de que esse tipo de música a que me refiro é brega, fico pensando que nome darão alguns anos às que fazem sucesso atualmente nas FMs.

E fiquei agradecido também à sugestão da minha esposa que, ao me estimular a fazer uma faxina nas minhas gavetas, me fez recuperar meu valioso estoque musical “brega”. Ainda bem.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 7 DE NOVEMBRO DE 2015.

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Categoria:

Mineiridades

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