Adicionado por em 2015-05-30

por Ariane Bocamino

Tatianna Bruneli é uberlandense e possui um moderno salão de beleza no bairro Roosevelt, na zona norte da cidade. É um espaço amplo, de dois andares, com clientes fiéis e parceiras que acompanham a cabeleireira diariamente em sua rotina de trabalho. A profissional tem uma característica que a diferencia das outras. Ela possui alopecia congênita universal, que é a ausência total de cabelos ligada a fatores hereditários. Por isso, desde seu nascimento, nenhum pelo cresce em seu corpo.

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Especializada em coloração, profissional mantém salão no bairro Roosevelt (Foto: Cleiton Borges)

“Segundo o meu médico foi o gen fraco da minha mãe que se juntou com um gen fraco do meu pai. Apesar de ter sido uma característica vinda dos meus pais, sou a única da família”, disse Tati, que lida com muita naturalidade quando o assunto é a falta de cabelos. Ainda de acordo com ela, sua segurança e talento no trabalho e satisfação com o marido, Rodrigo Silva, e com o filho se sobrepõem a qualquer preconceito ou constrangimento.

Para fazer a clientela e conquistar o espaço no mercado, a cabeleireira passou por algumas etapas. “Comecei a fazer cursos na área quando eu tinha 15 anos. Passei um período no Rio de Janeiro ganhando experiência e, quando voltei para Uberlândia, montei meu primeiro salão, no bairro Pacaembu, na zona norte”, afirmou Tati Bruneli, como é conhecida a cabeleireira, que tem especialização em coloração de cabelos.

Segundo Tati Bruneli, o primeiro salão dela era muito pequeno, mas foi importante no seu desenvolvimento profissional. “Tinham duas cadeiras para atender as clientes, a minha e de uma outra cabelereira que trabalhava comigo. Era bem apertadinho, mas foi ali que minha clientela foi crescendo”, disse.

Hoje, o salão Tatianna Bruneli atende, em média, 30 pessoas por dia, variando de acordo com os serviços prestados para cada cliente. Além da sua simpatia e competência, Tati tem uma característica que, mesmo sem ter sido criada de forma intencional, a diferencia da grande maioria das outras profissionais da sua área: a falta de cabelos.

Falta de pelos é a marca da colorista

Como a característica que não permite o crescimento dos cabelos é genética, a cabeleireira Tatianna Bruneli se conheceu desta forma e, segundo ela, isso facilitou a compreensão e aceitação desta condição.

“Desde criança sabia que não ia nascer cabelo. Então, aos poucos fui tentando lidar com isso. Lógico, aconteceram as crises, mas não de uma forma que atrapalhasse a minha vida”, disse Tati Bruneli. “Fui aprendendo a lidar com isso e, desde quando comecei a trabalhar com cabelos, pelo fato de não ter, me realizo na cabeça dos outros”, afirmou a cabeleireira, que tem especialização em coloração de cabelos, dando risada.

Segundo a colorista, em alguns casos as clientes acham diferente e até estranham um pouco ela não ter cabelo, no início, mas, depois, consideram interessante essa paixão dela pelos cabelos das pessoas. “Às vezes as pessoas me perguntam se é alguma doença, se eu estou com algum problema, mas sempre explico com calma, naturalidade e isso não me incomoda. O fato de não ter cabelos se tornou minha marca”, disse.

Cabeleireira tem o apoio do marido no salão

Há aproximadamente dois anos o professor de inglês e marido da cabeleireira Tatianna Bruneli, Rodrigo Silva, deixou as aulas para ajudar no setor administrativo do salão de beleza de sua mulher, no bairro Roosevelt, na zona norte de Uberlândia.

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Rodrigo Silva, João Neto e Tatianna Bruneli (Foto: Cleiton Borges)

“Foi um desafio porque eu dei aula por mais de 20 anos. Lidar com pessoas foi tranquilo, mas a logística do salão fui aprendendo aos poucos”, disse Silva.

Em sua juventude, Silva cortava cabelo na barbearia do pai, e a experiência que estava no passado voltou à tona em um projeto “For Men” no salão de sua mulher.

Segundo Tati Bruneli, como é conhecida a cabeleireira, em aproximadamente um mês será inaugurado um espaço para homens no salão e o responsável será seu marido, que vai deixar a parte administrativa do estabelecimento.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 30 DE MAIO DE 2015. 

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