Adicionado por em 2015-06-21

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por Ariane Bocamino

Bairro São Jorge, zona sul de Uberlândia. A casa da entrevistada é aparentemente simples, com uma fachada mais antiga e até mesmo um pouco danificada pelo tempo. Mas, quando somos convidados a entrar, o clima é diferente. Um ambiente aconchegante e com uma decoração que, apesar de não ser parecida com quase nada do que vemos nas casas ou nas lojas, é familiar.

São quadros, cadeiras, vasos, puffs; enfim, uma série de objetos cuidadosamente confeccionados. É possível não perceber que quase tudo ali é feito artesanalmente, o que enriquece a produção e dá uma sensação de proximidade com os objetos. Um ar de infância, de roça, de mato.

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Marcilei Moraes faz quadros com a utilização de terra (Foto: Marcos Ribeiro)

A responsável por criar estas sensações é a artista plástica Marcilei Moraes. Na infância, os lápis e papéis eram seus brinquedos preferidos. Com incentivo da família desde cedo, ela começou a desenhar e pintar de uma forma mais apurada. Atualmente, a artista plástica, de 43 anos, expõe suas peças de uma forma diferente, em sua própria casa. Quase tudo o que é relacionado à decoração tem a sua participação, mas o seu forte é o trato com uma matéria-prima pouco usada para esta função, a terra.

“Minhas cores preferidas são amarelo, marrom e laranja e essas cores eu encontro na terra. Uso a cor dela mesmo, procuro não misturar. Acho interessante usar este material nas telas, que tem uma cor que não foi criada ou montada, é natural, além de ser um trabalho sustentável”, disse Marcilei.

Ela encontra as terras em locais diversos, como em barrancos, na estrada ou em terrenos. “Sei que ainda vou encontrar muitos outros tons de terra para poder usar nos meus quadros, mas eu já gosto de usar também o urucum, para ter o tom de laranja mais vibrante, o café, para ter a cor preta, além do calcário, para simular tons mais claros”, afirmou a artista.

Costume

Além do talento para a arte, Marcilei Moraes também alia o gosto pela preservação das memórias da família. Misturados aos quadros e móveis produzidos por ela, encontramos objetos que remetem a um passado não muito distante, mas que revelam, de certa forma, as vivências dos antepassados da artista.

“Eu acho importante saber preservar essas vivências, até pra mostrar para meus filhos coisas que eles não viram. Fui criada na roça e era muito bom viver lá, então, tenho aqui o latão de leite que era da minha avó e a corrente do carro de boi do meu sogro. Aí misturo com a decoração e dá esse ar de museu”, disse Marcilei.

Além dos objetos citados pela artista plástica, encontramos pratos antigos e xícaras que remetem à “casa da avó”, além do violão que pertenceu ao avô de Marcilei. Como o instrumento musical está danificado, tornou-se vaso para o jardim de inverno.

Aplicação

A arte de forma geral pode ser utilizada de várias formas. Uma delas é quando conseguimos incorporá-la em nosso dia a dia e foi esse caso que encontramos em todos os cômodos da casa de Marcilei Moraes, onde ela vive com o marido e três filhos.

O carretel ou bobina usada torna-se um puff. Partes de um berço são transformadas em um porta-saias. A porta antiga vira uma janela estilo guilhotina, o aro da bicicleta é utilizado como luminária, o tijolo é usado como porta-talheres, materiais descartáveis em mosaicos, paletes viram cama; enfim, tudo se transforma com beleza e funcionalidade nas mãos de Marcilei.

“As pessoas vêm aqui em casa e ficam admiradas, mas, na verdade, aqui é minha galeria mesmo e é aqui que surge o interesse por compras e encomendas”, disse a artista plástica.

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 20 DE JUNHO DE 2015.

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De Bairro em Bairro

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