Adicionado por em 2015-04-06

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antienvelhecimento-idoso-20130517-size-598por Celso Machado 

O mundo em que vivemos está repleto de paradoxos. Estão incorporados de tal forma em nosso cotidiano que nem atentamos para eles.

No campo político isso se tornou rotina: aliados muitas vezes se transformam em adversários bem mais raivosos do que os integrantes do time da oposição. É só prestar atenção no tamanho do estrago que provocam.

Na área educacional, especialmente nas fases mais avançadas da carreira, não é incomum a necessidade de desaprender, de limpar a mente de dogmas ultrapassados para abrir espaço para receber o novo.

Para imaginar o futuro nada mais recomendável que dar uma olhada no passado. Procurar entender os quês e os porquês de como chegamos onde estamos para nos melhor qualificar para desenhar o amanhã.

Todo aquele que procura orientação para “desengordar” infalivelmente vai escutar, dentre outras recomendações, que é preciso aumentar o número de quantidade das refeições. Comer mais vezes. Só que porções significativamente menores. Bota menores nisso. Além, claro, de alimentos menos apetitosos.

Costumo brincar nas minhas divagações inúteis, quesito em que estou me especializando, que o momento melhor que aprecio, por exemplo, nos meus rachas semanais, é sair. Deixar o campo e do lado de fora poder gozar, provocar e me divertir com o talento de outros tantos jogadores altamente qualificados como eu.

O problema pra mim é que para sair é essencial primeiramente entrar. Não descobri ainda como fazer isso antes de ter entrado. E não aceito a sugestão de faltar, porque aí não é “retirar-se” da peleja, momento que considero mágico, mas não comparecer. Ou em certos casos, fugir.

Da mesma forma considero que só consegue descansar, quem de fato cansou. Quem labutou, seja lá de que forma tenha sido e depois de chegar à exaustão adquirir o sagrado e legítimo direito de saborear o relaxamento.

Porque para toda pessoa cuja vida é orientada para agir, ficar sem fazer nada, cansa. Cansa e aborrece.

Não estou falando necessariamente de trabalhar, no sentido profissional, mas sim de estar envolvida em qualquer atividade que tenha um sentido, um significado. Um objetivo e desdobramento.

Claro que elas estão sujeitas a momentos de preguiça. De em determinados dias não quererem nada além de descansar e como se diz na gíria “ficar de boa”.

Mas são bem diferentes daquelas que não têm breves instantes de preguiça e sim são preguiçosas. Toda hora, todos os dias. Para quem não fazer nada é um objetivo de vida.

Tenho um amigo que após 40 anos de uma carreira repleta de desafios e de superações está prestes a se aposentar. E, reluta. Porque não imagina ficar sem ter o que fazer.

Comentou esse dilema com um companheiro de boteco e ouviu dele uma resposta que vale compartilhar. Disse o colega de “gole”: “Pode ficar sossegado que vou te ensinar todas as “manhas” de não fazer nada. Sou especialista nisso e tenho autoridade para poder falar. Nunca trabalhei na vida”. E continuou: “Mesmo assim, há uns 5 anos atrás quando cheguei aos 60 anos dei entrada no pedido de aposentadoria”.

Meu amigo perguntou como alguém que nunca trabalhou podia pleitear aposentadoria. Qual argumento tinha utilizado. “Fiz o pedido alegando inatividade”, foi a resposta dada.

Curioso, quis saber o desfecho. “E aí, você conseguiu a aposentadoria?”

“Ainda não sei o resultado. Tenho preguiça de ir lá perguntar…”

Não falei que estou me especializando em divagações inúteis?

PUBLICADO NO CORREIO DE UBERLÂNDIA EM 4 DE ABRIL DE 2015.

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Categoria:

Mineiridades

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