Adicionado por em 2015-02-23

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623por Celso Machado

Dia desses, fiz contato com um profissional que presta serviços, pontualmente, para mim. Como não vinha tendo necessidade deles, fiquei um bom tempo sem contatá-lo. Recentemente, quando liguei, assim que atendeu, notei que sua voz estava diferente. Triste, excessivamente pausada e arrastada. Por um momento, fiquei pensando que fosse apenas imaginação minha, mas o comentário dele após responder à consulta sobre um serviço que lhe fiz, não deixou dúvidas.  Me contou que tinha se separado depois de muitos anos de casado e que isto tinha lhe causado transtornos enormes. Desorientando sua vida completamente, tanto pessoal quanto profissional. Mesmo não sendo tão próximo dele, nem sequer conhecendo sua esposa e família, fiquei sensibilizado. Sempre é muito triste compartilhar tristezas.

Há poucos dias, recebi a visita de um amigo que mudou de Uberlândia e com quem há muito tempo não falava. Ele reservou uma brecha na visita que fez a uma empresa local e pudemos almoçar, atualizando informações mútuas. Assim que o vi, me pareceu que trazia marcas no rosto. Que não me pareceram ser apenas da idade.

Aqui abro um parênteses: é sempre preciso tomar muito cuidado com as observações sobre o envelhecimento dos outros que muitas vezes chamam a nossa atenção. Como ficamos tempos sem ver uma pessoa, nada mais natural do que perceber as rugas do envelhecimento quando as reencontramos. Nada mais normal. Mas é prudente não comentá-las, não só por educação, mas por inteligência. Porque a outra pessoa também tem a mesma sensação quando nos vê. Se não for pior.

Ainda que o entusiasmo, a argumentação, os comentários sobre novas etapas de sua vida profissional continuassem como quando o conheci, trazia no olhar a expressão amargurada do olhar com pouco brilho. Da tristeza que não precisa ser dita. Mais uma vez minha tagarelice mental me levou a pensar que ele estava passando por um problema pessoal muito sério. E que não me parecia ser de saúde. Quando comentou que deixaria para falar, após o almoço, a parte da sua vida que não ia bem, veio novamente a certeza que minha intuição masculina estava certa.

Nem precisava contar porque mesmo sem me dizer seu olhar deixara claro: ele havia se separado. Depois de mais de 20 anos de casamento. Tenho comigo que separação, na maioria das vezes, é traumática. E entre casais com muito tempo de vida em comum, mais ainda. Não sou de perguntar razões, porque assuntos pessoais, para mim, são absolutamente pessoais. E, acredito que, em relacionamento, o que menos resolve é saber quem está certo. O que conta, o que vale, é dar certo.

Os dois têm de se gostar. Gostar do que um atrai no outro e aceitar o que cada um tem que não é bem o que o outro gostaria. O ser humano, seja ele quem for, tem uma característica que é comum em todos, vêm com virtudes e defeitos. Querer conviver só com o lado bom, é utopia. Aceitar as diferenças não deve ser visto como sacrifício, e sim como prova de amor. E das grandes. Desejo que meus amigos refaçam suas vidas e ajustem suas ligações afetivas. Para que mudem a voz e o olhar.

MATÉRIA PUBLICADA NO JORNAL CORREIO DE UBERLÂNDIA, NO DIA 21 DE FEVEREIRO DE 2015.

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